163. Confronto no Deserto
Espada de Hefestus
Antes: 162. O Guardião e o Mensageiro
Weiss Bier voltou ao Gardahal, onde voltou a ver Vórtex, correu alguns metros e retornou a Asgaehart, quando novamente tentou acertar uma flecha em Stonehand, que continuava cavando. Quando King Kraus se movimentava para atacá-lo, ele repetia a ação, de forma a ganhar algum tempo para seus companheiros chegarem ali. Mantala continuava lá, flutuando no Globo de Liz, em transe.
– Seu esforço é comovente, mas seus amigos vão morrer no deserto. – Disse o mensageiro, enquanto observava Weiss lutando contra seus companheiros da Quadra de Ases.
Ainda no caminho, correndo o máximo que podiam, Krul, Mit e Otu davam tudo de si para suportar os efeitos adversos do deserto. O arauto era quem resistia melhor, protegido pela aura de sua armadura sagrada. Otu, alucinado de pó, quase nem sentia sua pele empedrando rapidamente, e repetia sem parar:
– Meu pai Hefestus, me dê sua força!
Embora sofresse menos, Mit sentia o lugar sugando suas energias, incluindo aquela que ele acumulava no tridente para soltar os pulsos ultrassônicos. Além daquele calor maldito que dificultava respirar. Já Krul era quem sofria mais. Mesmo estimulado pela poeira cristal, era o mais velho ali. Sua pele já estava completamente rachada, e as articulações já estalavam. E sentia a energia dos cristais de Xart que alimentavam o Tiwaz se esvaindo. Se fosse para largar o prego, teria de ser de uma vez só.
Weiss ainda brincava de aparecer, flechar e sumir quando Stonehand encontrou a Cornucópia Ametista e seus companheiros chegaram ao local da escavação. Assim que entrou no alcance, Krul soltou uma rajada de setas de ferro na direção de King Kraus, que revidou arremessando a infalível Espada de Helgar. A armadura do arauto até conteve algumas flechas, mas não todas. Furado em pelo menos cinco partes do corpo, King cai na areia se esvaindo em sangue. Muito prejudicado em seus movimentos, o general só teve tempo de ver a espada sagrada o atingir em cheio no abdomen, que já estava parcialmente empedrado.
Krul Petersen, general da Dokhe, da décima quinta geração de guerreiros de seu clã, senhores dos vales do sul, caiu de joelhos com a Espada de Helgar cravada na barriga. Ali mesmo, já com as articulações enrijecidas, foi se transformando em pedra.
Com a Espada de Hefestus brilhando parcialmante na mão, o gigante Stonehand avançou na direção de Mit e Otu, que também corriam para enfrentá-lo. O arauto de Hoguz concentrou toda a energia que ainda podia conjurar no tridente, enquanto o vilando acionava o último cristal de Xart que ainda tinha alguma energia no Pique do Tiwaz. Sentindo que a merda ia ser grande, Weiss voltou ao limbo.
Quando as três armas se tocaram, a explosão que seu deu a seguir foi um evento espetacular, de proporções quase tão intensas quanto aquela provocada por Izakiel e o dragão Hossegor, a que tinha criado o deserto. Owen e Eris, que estavam a poucos quilômetros dali, chegaram a sofrer queimaduras e ferimentos leves devido ao arrasto.
Otu Bek tinha sido literalmente pulverizado, enquanto as partes de pedra do Gigante Stonehand estavam espalhadas por toda a parte, assim como as armas sagradas de Helgar, as do Tiwaz, a espada de Hefestus, e a cornucópia. De forma absolutamente miraculosa, Mit Maikon tinha sobrevivido à explosão e ao impacto no solo, protegido pela armadura de Hoguz, e caiu dezenas de metros adiante, com muitos ossos quebrados.
Com o último suspiro de consciência antes de desmaia, o arauto de Hoguz contatou o Raven pardo, para resgatá-lo. O animal alado não tinha escolha, embora também soubesse que poderia morrer sem conseguir retirar Mit de lá. Mas, voando corajosamente enquanto boa parte de suas penas secavam e caíam, o Raven alcançou o arauto, tomou-o com suas garras e saiu dali o mais rápido possível, voando no sacrifício na direção dos Piktos, onde foi obrigado a pousar já quase sem forças.
No Gardahal, Weiss percebeu quando Mantala despertou e avisou seu companheiro:
– Está na hora de pegar a encomenda.
Vortex então acionou seu portal para Asgaehart, e Weiss também tirou seu capuz para segui-lo. Quando retornou ao deserto, o guardião viu o mensageiro pegando a Cornucópia.
– Não posso deixar você levar a Cornucópia para Ighan. – Ameaçou, com o arco engatilhado.
– E eu jamais deixo de cumprir meus acordos. Façamos assim. Vou entregar a Cornucópia ao Imperador, mas não agora. Assim posso garantir que ela não será decisiva na guerra. E quando eu fizer isso, se ele estiver derrotado, vocês pagarão o meu preço.
– Estamos acertados. – Respondeu Weiss, mesmo receoso de confiar em Vortex. No fundo, sabia que não tinha muita escolha. Era o melhor negócio naquela situação.
– Mas há uma condição. – Incluiu Vortex: – O ataque final à cidadela tem que ocorrer após o nasce do sol. Se atacarem antes, entregarei a Ighan.
Weiss apenas ouviu. Não fazia a menor ideia de como estava a frente de batalha naquele momento. O mensageiro continuou:
– A feiticeira vai recolher os pedaços do seu brinquedinho de pedra, e a armadura de King Kraus. Ele era um bom líder. Tanto que morreu. – Comentou o mensageiro, irônico: – Você pode levar a Espada sagrada da Guerra, e suas armas do Tiwaz.
Recuperada das contusões, Eris Van Vossen se concentrou nos espíritos elementais do deserto para saber o que tinha acontecido, e sentiu que precisava socorrer Mit e seu companheiro alado. E também sentiu as mortes de Otu e do tio de Owen. Weiss ainda estava por ali, indo e vindo do Gardahal. Decidiram então caminhar de volta até os Piktos, ao encontro do arauto de Hoguz, a quem somente encontrariam já à noite.
Após recolher a Espada de Hefestus, o Pique e o Arco do Tiwaz, indo e voltando do limbo para suportar o deserto, Weiss Bier iniciou uma longa jornada a pé no Gardahal em direção a Shyne. Pelas suas contas, levaria uns dois dias, que seriam equivalentes a duas horas em Asgaehart. Ainda bem que tinha cheirado a poeira, pois assim não precisaria dormir.
A equipe de Krul Petersen finalmente tinha conhecido suas primeiras baixas, entre elas o próprio general. E um arauto estava fora de combate. De positivo, tinham acabado com metade da Quadra, e Weiss tinha um acordo com Vortex. Ou pelo menos acreditava que tinha um acordo. A guerra estava chegando ao seu momento decisivo.
