167. Infiltração na Cidadela

Arqueiro alamano no Castelo de Shyne

Antes: 166. As Quatro Partes do Hag Escarlate

Após sair do Gardahal, Gian Partenopolus saiu numa ruela no interior da cidadela de Shyne, bem ao lado do armazém que tinham incendiado. O caos continuava dando as ordens por ali. Um dos guardas viu quando o cavaleiro Dokhe apareceu do nada e gritou, já avançando para atacá-lo:

– Fuckin weirdo!

Airish apareceu logo depois, e se juntou ao companheiro contra o alamano. Weiss deixou o limbo logo após Andressa, e eles logo perceberam mais guardas correndo na direção deles. O tigunar derrubou o guarda com uma porrada, e enquanto Weiss tentava alvejar os inimigos com flechas, Airish arrombou a porta de uma casa da rua, onde os quatro entraram.

Havia um casal e três crianças velgas na casa, que era pouco mais que uma sala. Estavam muito assustados com a guerra, e mais ainda com a repentina invasão. Os soldados já se aproximavam do local, e agora já eram pelo menos uma dezena.

– Geral olhando pra parede, porra! – Gritou o tigunar, no que foi prontamente atendido.

Weiss então leva os companheiros para o Gardahal, onde as joaninhas voltam a revoar quase que imediatamente devido à presença dos intrusos. Mas o plano estava traçado: assim que entraram no limbro, correram o mais rápido que puderam na direção de onde o castelo de Shyne se localizava em Asgaehart. Puderam se deslocar por cerca de quarenta metros antes de serem alcançados, e Weiss primeiro enviou Andressa de volta.

A sacerdotisa de Virgo saiu em Asgaehart já o interior da muralha do castelo, bem em frente a dois guardas, que reagiram com muita surpresa à aparição:

– Holy Shit!

Antes que o sujeio pudesse armar e disparar seu arco, Andressa aproveitou o contato visual e o dominou, fazendo com que ele se virasse e disparasse fatalmente contra seu companheiro. Airish foi o segundo a sair, bem na hora que, do alto de uma torre próxima, outro guarda gritou com raiva, já disparando uma flecha na direção da sacerdotisa:

– Fuck you Witch Velgians! Weird tricksters!

A flecha acertou em cheio na cabeça da filha de Elena de Aquitan, entrando em uma diagonal de cima para baixo bem na têmpora, que matou Andressa instantaneamente. Gian saiu do limbo no exato momento em que a jovem sacerdotisa tombava ao chão, e gritou:

– Não!

A segunda flecha veio na direção de Airish, que conseguiu se defender com o escudo, e a terceira em Gian, mas sem precisão. Quando Weiss saiu do limbo e viu aquela situação crítica, voltou rapidamente para o Gardahal, onde poderia pensar, tanto porque não era incomodado pelas joaninhas, quanto pela distorção temporal. O guardão sabia que precisavam de mais planejamento. Entrar e sair do limbo daquele jeito acabava os colocando em situações perigosas, em ambas dimensões. Já estava bem acostumado a passar perrengue, mas naquela missão estavam de parabéns nesse quesito. Há mais de um dia não tinha uma refeição decente, não tomava banho nem tomava um trago de algo forte. Então lembrou de um conselho de saga: “gente poderosa junto atrai coisa ruim”. Se voltasse vivo, reclamaria no sindicato dos cavaleiros, se houvesse um.

Em Asgaehart, Airish e Gian correram na direção de um beco entre duas residências. O guarda que Andressa tinha dominado, de volta à consciência, acertou uma flecha no braço do tigunar, enquanto o arqueiro na torre voltou a mirar no cavaleiro de Sunnig, dessa vez atingindo-o na barriga e levando-o ao chão. Weiss, que tinha aguardado alguns minutos no Gardahal, apareceu em Asgaehart segundo depois, no exato momento de trazer Gian para o limbo antes que outra flecha o matasse. Após arrastar o companheiro alguns metros, voltou antes que as joaninhas o atacassem, saindo no beco na mesma hora em que Airish chegava ali, ainda com a flecha enfiada no braço esquerdo.

Quando o guarda que tinha acertado Airish apareceu no beco, foi morto com uma flechada de Weiss Bier, no coração. O sujeito caiu bem ao lado do corpo de Andressa, que jazia com uma poça de sangue ao lado da cabeça.

– Valeu, meu irmão Bier! – Agradeceu o tigunar, encolhido num canto do beco, ao lado de Gian, que agonizava.

– Vou tentar resgatar Andressa. – Disse Airish, logo após conseguir retirar a flecha do braço e aplicar no local um unguento de Virgo fornecido pelo guardião, que também cuidou de Gian, removendo o projétil cravado em seu abdomen.

Quando o tigunar tentou sair do beco, no entanto, percebeu que estavam sitiados ali pelo cara na torre. Uma flecha veio certeira em sua direção, sendo novamente interceptado por seu escudo, que àquela altura já apresentava uma grande rachadura. Outra flecha, e mais outra, logo o fizeram desistir da ideia, e Airish retornou ao beco.

– Esquece essa porra, cara. Só necromantes poderiam trazê-la de volta, como um zumbi, o que seria uma ofensa a Hagalaz.

– Ela é filha de general, cara. Vamos pegar seu corpo e levar a Imperatrix.

– Não temos que pedir nada, Airish. Andressa viveu e morreu. Agora já era. Hagalaz quis assim.

Naquele momento, começaram a escutar passos apressados na direção do beco. O arqueiro na torre certamente tinha passado a localização deles para os colegas. Rapidamente combinaram de repetir a estratégia, avançando pelo limbo na direçao ao castelo, e saindo antes que as joaninhas atacassem os dois intrusos.

Fizeram exatamente como combinado, mas Airish, que seria o primeiro a retornar, deu de cara com uma parede de pedra, sofrendo uma pequena concussão que quase o desmaiou. Weiss pediu desculpas ao amigo (sua geolocalização ainda precisava melhorar), andou mais algus metros adiante e abriu novamente a capa. Quando o tigunar voltou a Asgaehart, encontrava-se em uma galeria interna com paredes de pedra, provavelmente no interior da muralha do castelo. Mais à frente, havia uma escadaria com degraus largos, tudo ali porcamente iluminado por tochas.

Dois soldados desciam a escadaria quando o tigunar apareceu, e logo reagiram já sacando suas espadas para atacar o inimigo:

– Dammm! Maddafucka Nigga!

Gian e Weiss voltaram a Asgaehart no momento em que Airish brilhou a espada de Hefestus com a energia física de seu corpo. Ao primeiro toque contra a arma de um dos inimigos, uma explosão violentíssima irrompeu no recinto, arrancando braços, pernas e cabeças dos dois sujeitos, além de espirrar sangue e vísceras por todo o lado.

Enquanto isso, na linha de combate em Shyne, em plena madrugada, o Megatrix Jules Flanagan tentava conter a ansiedade de todos para autorizar o ataque final, quando finalmente soltaria os gigantes de Dankel para que tentassem romper a muralha da cidadela. Ele confiava em Weiss Bier, mas estava atento a qualquer sinal de traição dos inimigos, apenas por precaução. Se tudo corresse conforme o planejado, ao primeiro raio de sol, as trombetas de Hefestus finalmente seriam tocadas.

Continua…

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