112. Bier Na taberna de Dankel

Ipa Bier, de Joy Divile.

Antes: 111. Bier Na taberna de Dankel

Quando chegou à taberna que ficava localizada no fim de um beco, perto da praça central da cidadela fortificada de Dankel, Ipa Bier verificou que o recinto estava praticamente vazio. Àquela altura, quase todo o povo da cidade tinha descido para a área das colinas baixas, onde tinham erguido o labirinto e os ringues do Veroforte. Por isso, o taberneiro pareceu se animar quando vê os novos visitantes.

– Para eos distintos caballeros, la primera cerveza corre per conta de la casa! – Anunciou o homem, usando um dialeto geral oriental, antes de questionar: – Vindes pa ve quien seres el Veroforte, amigos?

Ipa aceita a oferta, mas faz uma ressalva:

– Para o meu amigo aqui, eu quero a melhor cerva da casa. – Disse ele apontando para o pajem.

– La mejor es esta! De hecho, solo tenemos esta! – Responde o sujeito, já servindo mais uma caneca.

Ipa então chama o taberneiro para mais perto e sussurra em seu ouvido:

– Esse cara aí já serviu Boquisosi e sabe de todos os lugares desconhecidos de sua mansão…

O taberneiro levanta a sobrancelha e parece se interessar na conversa. Ipa continua:

– Dizem que ele sabe até onde o Boqui guarda seu tesouro mais especial…

– Tenemos que hablar en un lugar reservado, gringo… Vamos a negociar con mis primos?

– Me ajuda a entreter esse pajem e aqueles dois guardas mal disfarçados, e a gente conversa.

Merlin entende o plano e sai da taberna, mas não se afasta muito, apenas para atrair a atenção de um guarda. O taberneiro bota mais uma rodada de cerveja no balcão e chama para o salão duas meninas ileanas que costumavam servir os convidados, mas que naquele momento estavam na cozinha. Enquanto elas puxam conversa com o pajem e o outro guarda, Ipa vê o sujeito chamá-lo para uma sala que ficava nos fundos do estabelecimento, onde havia uma mesa e algumas cadeiras. Dois outros homens entram no local, e o taberneiro se comunica com eles numa língua que Ipa não conhecia, mas intuiu ser algum dialeto dos selvagens orientais. Um deles retorna uma expressão de dúvida, o que faz o dono do estabelecimento perguntar:

– Conoces al Rey Mestizo, gringo?

– Si…

– Entonce tu sabis dond estás el oro del Senado, gringo?

– Não sei exatamente onde fica, mas estou fortemente desconfiado de que está no aposento mais alto, muito bem protegido. Mas estou pensando em aproveitar a festa para roubá-lo. E preciso de ajuda. Se conseguir, dividimos a recompensa. Com certeza vocês também estavam pensando nisso, correto?

Os primos do sujeito se animam com a franqueza. O taberneiro questiona:

– Cómo van a cargar el tesoro? Se dice que son docenas de cofres.

Ipa continua:

– Prioridades, amigo. Vamos nos ajudar. Tenho outros amigos no plano. E vocês podem ficar com 100% do ouro. A nossa parte não envolve ouro especificamente.

Os homens se entreolham, interessados. Um dos primos arrisca outro plano:

– Podemos cortarle la cabeza al paje y llevársela al viejo Tito, un nigromante, para saber dónde está el tesoro.

Ipa se alerta:

– Não vai adiantar. Ele não sabe muita coisa. E vamos despertar desconfianças matando o pajem. Que tal a cabeça de um senador?

Os homens se frustam com a resposta, e devolvem na lata:

– Te has vuelto loco? No se puede capturar a un senador, colega… Si supiéramos exactamente dónde está el tesoro, podríamos intentar robarlo con maña, pero ya veo que solo tienes ganas y poca información concreta…

Um dos primos volta a falar co o taberneiro na língua nativa, agora aparentando irritação. Logo depois, sai apressado da sala.

– Então melhor cada um ficar na sua. Vocês seguem o plano de vocês e a gente o nosso.

– Vete, gringo… Antes de que te denunciemos ante el Senado por traición.

Sem questionar, Ipa deixa a taberna antes que dê alguma merda:

– Obrigado pela cerveja.

Ipa Bier sai da taberna apressado, e Merlin sai com ele, seguido pelo pajem e pelos guardas, que já estavam bem alcoolizados. Ipa questiona o pajem mais uma vez:

– O taberneiro me falou da família de um senador… Junis … Acho que é esse o nome dele. Lembrei: Janus. Conhece?

– É o mestre de armas daqui. Também é dono de uma frota de navios… Muito rico e influente.

– Ele vive sozinho agora?

– Vive com sua família na mansão. Exceto sua mulher, que fugiu com o amante. Dizem que o talarico era um caveleiro do Reino de Viktoria. Por isso vamos à guerra contra eles! Sei que vocês velgas do ocidente são antigos aliados dos celtas, mas o Mestiço agora é o rei legítimo daquele Reino! Aliás, Imperador! E o Imperador voltoooou! O imperador voltoooou! Ô! – Comemora o pajem iniciando uma cantoria.

Ipa tenta acompanhar a musiquinha, mas continua:

– Entendi. É facil reconhecer a mansão de Janus?

– Fica perto da mansão de Boquisosi, que é a maior de todas, bem no alto da colina. A mansão de Janus fica bem ao lado da cúpula de reuniões do Senado.

– Tô muito curioso pra conhecer uma dessas mansões… – Sugestiona Bier.

– Já disse, velga… Se o teu campeão ganhar, talvez sejamos chamados para entrar na Alameda… Se não, não vamos passar na porta. Wilsu não deixaria.

– Mas lembre-se: o imperador voltooou! – Puxa o coro Ipa.

– Voltou, caríssimo velga! Vamos continuar bebendo onde agora? – Animou-se o pajem.

– Você que manda.

– Lá no camarote estava regado, mas nós pajens não podemos nem pensar em tocar nas bebidas.

– Leve-nos onde tem a melhor cerveja daqui. E onde você possa participar.

– Só se vende cerevejas aqui naquela taberna, senhor. As bruxas vendem outras bebidas fermentadas, mas essas eu dispenso.

– Wilsu é seu amigo? O que ele faz?

– Ele é o chefe da portaria da Alameda do Senado, velga. Só é amigo dos ricos. Só fortalece quem tem mais que ele.

– Ele mora na vila?

– Não. Mora na portaria mesmo.

– Vou te contar uma coisa. O taberneiro me disse que ia roubar o ouro dos senadores. Precisamos avisar Wilsu.

– Roubar o tesouro do Senado? Jiko, o taberneiro? Aquele pilantra de rua? Duvido muito. Ninguém sabe onde o Senado esconde o ouro.

– Ninguém é muito pouca gente, né? Alguém sempre sabe. Mas, por enquanto, o importante é que o imperador voltoooou! – Finaliza Bier, pensativo, dando um tapinha no ombro do pajem, seu mais novo amigo de birita.

Enquanto isso, ainda no desafio do touro, Xpeditus dessa vez não perde muito tempo para conseguir derrubar o bicho e matá-lo, seguindo para a câmara do temível Gigante com o chicote nas mãos.

Continua…

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