115. Orgia nos camarotes

Alian, vilanda de Citroya.

Antes: 114. O labirinto do Veroforte

Haia aguardou Arley finalizar o serviço contratado com Myla, e com as informações obtidas pelo tigunar, decidiram voltar ao camarote do evento. Chegaram no exato momento em que Stonehand era recebido com euforia pelo púbico, sendo o primeiro a sair do labirinto e ocupar um lugar no ringue. Haia olhou para aquele sujeito monstruoso com asco e antipatia, como se antecipasse uma rivalidade histórica.

Dos túneis de entrada na montanha onde tinha sido escavado o labirinto subterrâneo e as câmaras de desafio do Veroforte, alguns servos eventualmente recolhiam e arremessavam os cadáveres dos derrotados no fosso de lama ao redor dos ringues, para delírio da massa ignara. Foi quando perceberam, horrorizados, que Pet Xueiz era um desses infelizes. Quando viu que seu companheiro tinha sido quase partido em dois, Arley fez uma reza para Hevelgar e retirou seu cadáver do fosso. Na hora em fossem embora, o levaria de volta para as Terras Altas.

No camarote, já passado o meio dia, o clima de bebedeira e putaria aumentava exponencialmente. Gente diversa, de toda Asgaehart conhecida. Arley sugeriu que o pajem se divertisse com alguma daquelas prostitutas disponíveis no recinto, mas ele recusou. Eles veem Janus, cercado de guardas, em seu balcão particular, de frente para o ringue final, assim como o dos demais Senadores de Dankel. Eram doze. Arranhando no idioma estrangeiro, que conhecia toscamente, Haia tentou contato com o escudeiro do campeão de Cibel:

– Nenhum dos nossos ainda, né?

– É. – Respondeu o cibelo, secamente.

Em outro canto do camarote, Haia vê os representantes de Havilan e Monserrat, que parecem bem enturmados com os bárbaros simérios de Eredra, Treva e Saravessa. No lado oposto, uma amazona cavalona de Citroya e dois gauleses. Um escudeiro tigunar, de Runa, lidera um grupo com outros representantes do Oriente Esquecido. Já a representante de Rassan, uma agunar bem gostosa, preferia a companhia dos bávaros. E também havia uma comitiva bárbara de Hogan e Venez, perto do grupo dos simérios. Resolveu acenar para a citroyana.

– Tu és o escudeiro de Mortagwan, de Darklands? – Questionou a vilanda, que era alta e muito corpulenta, num velga ocidental fluente.

– Sim, sou eu.

– Junte-se a nós. Estamos bebendo e apostando. Dez moedas de ouro como Lizander sai do labirinto antes da sua campeã? – Sugeriu a amazona.

– Mortagwan vai sair a primeiro. Vamos apostar?

– Dez moedas. – Disse a citroyana colocando as peças na mesa, no que foi seguida pelos dois gauleses, que já estavam bem animados (e de olho na potranca que lhes fazi companhia, obviamente). Haia casa suas moedas.

– A propósito, cavaleiro, me chamo Alian. – Apresentou-se a vilanda.

– Me perdoe a falta de educação senhora. Sou Haia Kahn.

A citroyana então beijou uma das prostitutas que servia vinho no camarote, e a orientou para que lhe masturbasse, ali mesmo, na frente de Haia. Sentindo-se desafiado, o vulkânico também puxa uma das meretrizes, abaixa a calça e a coloca para fazer sexo oral, enquanto olha para Alian. A vilanda continua ali, sentindo prazer em público, enquanto beberica sua taça de vinho. Um dos gauleses, que tem uma jovem ileana seminua sentada em seu colo, questiona Haia:

– Vous, les Velgas de Van Hal, ne craignez-vous pas la probable alliance du Sénat avec Ighan ?

– Pardon, musier… – Gagueja Haia, tentando explica que não fala gaulês.

– Vocês não temem a provável aliança de Ighan com o Senado de Dankel? – Traduz Alian.

– Janus não está com aparência de quem está fazendo alianças…

O gaulês então se apresenta, arriscando um velga:

– Soi Renê, de Galen. Mas les barbarians me chamam “playboy”.

Haia ajeita a posição da prostituta e faz um carinho em sua cabeça.

– Janus tá com la tête pesada, mon pote…

– Como vocês estão vendo isso?

– Le roi de Galian vê isse com inquiétude… Mais vous estan bien perto… Nous non tem frontières com la Empire de l’Est.

– Todos estão preocupados. Alianças são feitas sempre por algo maior.

– Renê não fica. – Sorri Alian, respondendo pelo gaulês: – Esse safado conhece gente de todas as dinastias… Pode trocar o dono que ele terá um convite.

– Aí sim… Tá de patrão.

– Bobo é quem risque son cul pour une bande de nobles. – Conclui Renê.

– Pois é. Tem doido pra tudo nesse mundo. – Rebate Haia.

A conversa é interrompida por uma gritaria. Mais uma porta do labirinto se abriu. É Kundahar, o representante de Cibel. Mais uma vez, a torcida saúda o guerreiro, que ergue os braços com seu machado de guerra, enquanto caminha até o ringue, numa chave diferente da de Stonehand. De longe, eles se encaram. Se vencessm suas batalhas, se encontrariam mais à frente. Dentro do labirinto, a carnificana continuava a mil.

Já no camarote, a orgia dava o clima. Começou a circular a informação de que ao campeão seria oferecida uma das mansões na Alameda, com todas as despesas pagas, até a próxima edição do evento, daqui a 24 anos. Enquanto Haia interagia, observou que seu camarada Arley ainda tinha energia para se relacionar com mais prostitutas. Os dois não tinham percebido ainda, mas naquele momento Ipa Bier tinha se convidado para o balcão privado de Varandrix, um dos senadores, onde bebia doses cavalares de um ótimo vinho gaulês. Já nem lembrava mais qual era a missão. A festa era ali, agora. E o jovem pajem, seu mais novo melhor amigo, também bêbado, naquele momento o acompanhava muito animado.

Perto dali, Merlin observava a tudo sem participar de nada, soturno e calado como sempre. Repudiava aquela merda toda, e não via a hora de voltar pra casa. Mas, se dependesse de seus companheiros ali, aquilo ainda iria demorar um bocado.

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