117. Suva Kaun encontra Xpeditus

Xanrok, de Runa

Antes: 116. Xpeditus no labirinto

Depois de matar o representante da Bavária, que ele não sabia identificar de onde era, no entanto, Suva Kaun Dikristus voltou até o obelisco onde estava a cabeça do gargo, e arrancou-lhe o chifre. Tinha achado a chave vermelha, agora precisava encontrar a porta. Com cautela, circulou por corredores onde ainda não tinha passado. Acabou voltando à mesma encruzilhada. Aquela porra de labirinto era irritante demais. Caminhou por mais um tempo, arriscando novos corredores, tentando ouvir alguma coisa. Nada.

Mas, quando já estava de saco cheio, pensando até em parar para descansar um pouco, Suva avistou uma outra câmara circular com um obelisco, dessa vez na cor verde, ocupando uma das encruzilhadas. No alto, ainda encaixada no baixo relevo, estava a chave verde. Mas, bem em cima da peça de pedra, havia um tipo de engenhoca com quatro arcos balestra montados em um mecanismo giratório, que tudo indicava estava engatilhado para disparar. E também dava pra ver várias flechas enfileiradas na traquitana.

Enquanto isso, na arena exterior, um terceiro competidor conseguia sair do labirinto. Era o campeão de Venez, um dos competidores que tinha perseguido Xpeditus e o gaulês há pouco. A torcida saúda mais um finalista, mas ainda teria de aguardar para ver o início das quartas de final: Stonehand, Kundahar e o venegasco tinhm chegado cada um em um ringue diferente. Ainda restavam cinco vagas.

Como já tinha uma chave, Suva decidiu retornar e percorreu mais um tempo os corredores na direção leste, tentando se aproximar das paredes com portas. Chegou a encontrar uma porta de entrada para o labirinto, do mesmo tipo daquela por onde tinha entrado após resistir às chicotadas. Conitnuou seguindo adiante, meio desesperado, já sem muita certeza se estava alcançando locais novos. De tanto rodar, acabou achando.

Xpeditus estava ali, plantado na frente da porta de pedra vermelha. E era Suva que tinha a chave vermelha:

– Agora sim! – Exclamou o tigunar.

– Vamos pra cima! – Respondeu Xpeditus, quando reconheceu o companheiro: – Achou a chave vermelha?

– Achei.

– Então bora sair pro ringue, porra!

– Como assim, cara? Bora pegar a chave verde pra tu. Vi ela num obelisco.

– Ué? Não dá pra sair os dois nessa porta?

– Deixa de ser burro, nativo de Para Hyba. É uma chava pra cada vaga.

– Então eu vou buscar a chave verde. Entra aí na porta vermelha, Suva. Você achou a chave.

– Não. Bora bucar a chave verde.

– Acho melhor tu passar logo, Suva Kaun. Depois a gente se perde de novo, fudeu. Ou podemos perder essa chave vermelha.

– Vmos juntos Até o final. Vou até já dar um tequinho agora na poeira cristal, só pra garante.

– Valeu. Então vamos deixando marcas no chão pra voltar aqui. – Propôs o homem de Para Hyba.

– Posso cagar e deixar um rastro de merda no chão. – Sugeriu o tigunar.

Xpeditus achou a ideia boa, o que dá um bom exemplo da racionalidade doentia daquela dupla. Com a indicação de Suva, não tardaram a chegar à câmara onde estava o obelisco verde. E a chave ainda estava lá.

– Vou arremessar essa espada que peguei de um defunto nessa geringonça, praver o que vai dar. – Disse Xpeditus. Suva achou bom.

O arremesso não tinha direção certa, mas quando a espada adentrou a câmara, a traquitana de balestras girou disparando uma rajada de pelo menos quatro flechas na direção do objeto, ou seja, na direção de Xpeditus e Suva. Com horror, eles se jogam ao chão com dificuldade, pois nenhum deles era exatamente ágil, mas escapam por pouco. O bagulho ali era sinistro.

– Caralho, mó escarradeira essa porra. – Avaliou o tigunar, ainda deitado.

– Podemos usar os escudos, negão. – Disse Xpeditus, também deitado. – Nós vamos ganhar essa porra!

– Essas flechas vão estraçalhar nossos escudos, Para Hyba.

– Vou invadir essa porra na raça. – Disse Xpeditus, já se levantando.

– Calma.

– Me dá aí o teu escudo também.

Suva também se levanta, e entrega seu escudo para o companheiro, que avança o mai rápido possível na direção do obelisco, já esperando as flechadas. Dito e feito. Milagrosamente, Xpeditus consegue se livrar da primeira flecha, enquanto as demais acabam rachando e quebrando os dois escudos com o impacto. A última delas, no entanto, atinge em cheio seu braço esquerdo. Mas o homem da Para Hyba consegue chegar ao obelisco. Engolindo a dor, ele quebra a ponta transpassada e arranca flecha, contendo o grito de dor. Mais aliviado, ele estica o braço direito e pega a chave verde.

– Joga outra coisa aí pra ver se a armadilha ainda tá funcionando, negão.

– Joga você daí, porra. Vai pegar em mim.

Xpeditus lança um de seus cantis, e nada acontece. Aparentemente, retirar a chave desarmava a traquitana.

– Irmão, pode volta pra porta vermelha. Te encontro lá na frente. – Sugeriu Xpeditus, após retornar até onde Suva estava e começar os preparativos para aplicar uma Poção de Virgo no ferimento.

– Porra, irmão. Tu tá aí fodido com esse braço de pano. Bora achar a porta verde junto. – Respondeu Suva, mesmo a contragosto, pois àquela altura já estava literalmente raspando o cu com a unha de tão nervoso para entrar num daqueles ringues.

Xpeditus deu um teco na poeira e tomou a frente na nova busca. Dessa vez, foi riscando o chão com a ponta da espada, pra evitar o horrível cheiro de merda de Suva. Após passarem por duas encruzilhadas, seguindo à frente, acabaram por encontrar dois dos três guerreiros que tinham perseguido o Para Hyba antes. Quando o alamano os viu, gritou, já brandindo um martelo de guerra que mais parecia uma bigorna com cabo:

– Give me the fucking keys, pussies!

Suva correu em direção ao oponente e pensou em pular com os dois pés na garganta do sujeito. Mas logo percebeu que não tinha agilidade suficiente pra isso ser uma boa ideia, e preferiu atacar com o montante. Xpeditus, por sua vez, se ocupou de lutar com o outro guerreiro, um vilando obeso, do Reino de Havilan. Apesar da lesão no braço, logo derrubou o gordo com uma porrada forte em sua barriga de lama.

Suva já conseguia levantar vantagens seguidas contra o bárbaro, quando Xpeditus derrubou o vilando obeso pela segunda vez, no que já era um espancamento. A luta do tigunar era bem mais equilibrada. Na terceira queda seguida do gordão, Xpeditus decepou sua cabeça. Juntando forças com o tigunar, o alamano não teve chances, e acabou sucumbindo com uma porrada certeira desferida por Suva.

Revistaram os defuntos e cataram 30 moedas de ouro e 12 de prata. O gordo também levava uma mochila só com provisões, que eles descartaram, pois estavam mordendo a orelha sob efeito da poeira. O barulho da briga, no entanto, acabou chamando a atenção de outros, que logo correram até lá. Suva e Xpeditus já se preparavam para mais uma luta, quando dois competidores chegaram ali. Era Mortagwan, acompanhada de outra vilanda absurdamente gostosa, de Citroya.

– E aí, acharam as chaves? – Perguntou a representante de Darklands.

Enquanto isso, na área dos camarotes, agora o público recebia mais um finalista. Xanrok, um guerreiro tigunar de Runa, cabeça cheia de tranças, carregando um tridente. E seu caminho o levava direto para o ringue de Stonehand.

Continua…

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