116. Xpeditus no labirinto

Guillon de Fler, de Galian

Antes: 115. Orgia nos camarotes

Quando Xpeditus entrou no labirinto, Stonehand já tinha saído e esperava seu adversário no ringue, e Kundahar estava quase lá. Na primeira encruzilhada, uns dez metros à frente, virou confiante à direita. Depois, virou à direita novamente. E aí chegou a uma trifurcação onde só poderia seguir em frente, virar à esquerda ou retornar por onde tinha vindo. Resolveu pegar o caminho à esquerda, depois novamente à esquerda, e nem percebeu que tinha voltado para um corredor onde já tinha passado. Era burro demais. Então pegou o primeiro caminho à direita, depois virou à esquerda, e seguiu reto, ignorando as encruzilhadas adiante. Parou numa delas. Repetiu o padrão: direita, esquerda, reto. E aí chegou numa quina onde só poderia virar à esquerda ou retornar. Virou. Dez metros à frente, outra encruzilhada. E mais nada. Ninguém ou nenhuma novidade.

Já começando a sentir fome e uma certa paranoia, Xpeditus andou por alguns minutos pelo labirinto, seguindo apressado de forma paradoxalmente decidida e aleatória pelos corredores. E foi nessa corrida desesperada que ele deu de cara com outro competidor, que usava as cores do Reino de Gaules.

– Tu és de Aquitan? Vamos em aliança ou resolvemos aqui? – Questionou o gaulês, em bom velga, reconhecendo as cores do reino velga.

– Sim. Vamos juntos. – Grunhiu Xpeditus.

– Sou Guillon de Fler, da ilha de Galian.

– Vens de Flamme?

Xpeditus vinha de Para Hyba, uma pobre vila de pescadores ao norte do Mar de Hill, bem distante de Flamme, mas concordou com um aceno para encurtar a conversa. Era um sujeito de poucas palavras, especialmente com estranhos.

– Vim dos corredores desse labirinto mais ao sul, e ainda não achei nada além de uma porta de pedra Negra, naquela direção. Agora ia investigar esse lado de onde tu vieste.

– Também não tive muita sorte.

Os dois então segum juntos, explorando uma área em que ambos ainda não tinham passado (quer dizer, que o gaulês não tinha passado, uma vez que Xpeditus não tinha a menor ideia de por onde já tinha passado). Acabaram dando de cara com uma parede, onde só se podia virar à esquerda ou à direita. Viraram à esquerda. Seguiram adiante tateando os caminhos, mas acabaram voltando para um corredor onde já tinham passado.

Xpeditus e Guillon então voltaram até o corredor de uma encruzilhada que o gaulês tinha certeza de não ter passado. Seguindo reto mais à frente, encontraram o cadáver de um guerreiro estirado no chão. Aproximando-se, percebem que era um agunar, usando fitas com as cores do Reino de Rassan. Seu elmo estava amassado, e ele tinha um grande afundamento de crânio na parte posterior da cabeça, da testa ao olho direito, que tinha desaparecido numa massa de sangue. Parecia uma maçã mordida.

– Esse morreu bonito. – Comentou Xpeditus, revistando o morto. Tinha quatro moedas de ouro e uma espada, devidamente confiscadas:

– Ele não precisa mais dessas coisas.

Foi quando viram, do corredor à esquerda, três guerreiros já avançando de forma agressiva na direção deles: era um alamano, com as cores de Eredra, um vulkânico de Venez e um vilando de Havilan.

– Como vai ser?! – Gritou Xpeditus.

– Fuck you! – Respondeu o alamano, já sacando o montante.

– Fuck tu no olho do seu cu! – Triplicou Xpeditus, já se preparando para o combate, quando percebeu que seu companheiro gaulês tinha batido em retirada correndo em velocidade pelo corredor atrás deles.

Pensando melhor, três contra um era demais. Xpeditus então muda de estratégia e trata de meter o pé dali também, atrás do gaulês fujão, aquela bicha amarelona. Os três guerreiros também começam a correr para persegui-los. Guillon, bem mais ágil, logo se perde nos confins do labirinto. Xpeditus acaba contando com a sorte e também se livra deles, mas continuava não fazendo a menor ideia de onde estava. Essa a vantagem dele, na verdade. Era impossível de se perder, pois ele nunca tinha se achado ali naquela porra.

Andando a esmo pelas encruzilhadas por mais algum tempo, a fome e a paranoia de Xpeditus alcançavam um limite crítico. E, mais uma vez, premiado por Hagalaz pela sua insistência na aleatoriedade, acaba encontrando algo importante: a porta de pedra vermelha, uma das saídas para o ringue. Ele não tinha a chave, mas agora podia esperar ali para enfrentar quem a tivesse encontrado. Ele só não sabia, naquele momento, que quem estava com a chave vermelha era seu amigo Suva. Então resolveu esperar po ali mesmo, na frente da porta, torcendo pra não ser achado por quem estivesse jogando em grupo.

Continua…

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