113. Arley e Myla Yumanotz

Myla Yumanotz, bruxa de Dankel.

Antes: 112. Bier na taberna de Dankel

Na tenda de uma das bruxas que comercializam seus serviços, mandingas e amuletos na praça central de Dankel, Arlovsky Vanila, que todos só chamavam de Arley, observava o corpo nu de Mila deitada na cama, após uma sessão de sexo selvagem. Muito bem pago, aliás, com cinco moedas de ouro no padrão velga, com efígie de Van Hal e tudo, que eram muito apreciadas naquele canto do Oriente Esquecido.

– Nossa, que corpo. Você deve ter muitos clientes…

– Nunca servi na taberna, tigunar… Mas tenho meu preço.

– Você conhece o Rei Ighan? Precisava de algumas informações… – Avança Arley, brincando nas mãos com mais uma moeda.

– O Mestiço? Quem não o conhece por aqui?

– Sabe se ele tá por aqui? Ou por onde ele fica?

– O Rei deve aparecer para o fim do torneio. Isso tudo com certeza foi invenção dele, para que seu protegido seja o campeão.

– E você também conhece esse protegido dele? – Indaga Arley, curioso.

– Só de ouvir falar. Desde que Saravessa perdeu a batalha de Joy Divile por causa de um duelo, Ighan tem buscado um novo campeão à altura dessa responsabilidade. E parece que ele achou um monstrengo com o nome de Stonehand, o mão de pedra.

– Entendi… Você tem ideia de onde ele possa estar agora? Ou sabe de alguém que possa saber?

– Ighan? Já deve estar por perto. Ele certamente vai entregar o cinturão ao campeão. – Informa Myla, devolvendo a curiosidade: – Por que queres saber do Rei Mestiço, tigunar?

– Digamos que tenho negócios com ele. Precisava saber onde ele fica normalmente.

– Ele não vem muito em Dankel, tigunar. Tem vindo agora, para o acordo e nos preparativos desse torneio.

– Entendi. Bom, deixa de papo e vem cá, gostosura! – Diz Arley, antes de avançar para a cama novamente, para outra sessão.

Enquanto isso, Xpeditus fazia uma cara feia (cara normal, pra ele) na hora receber a primeira chibatada do Gigante. E ela vem ligeira, rasgando tudo nas costs do guerreiro que já era bem deformado por natureza. Ele solta um urro animal, mas resiste à chicotada com bravura indômita. A segundavem ainda mais forte, e o brucutu chega a revirar os olhos, sapateia nas próprias pernas, mas não apaga. “Bora pro labirinto”, pensou ele. Quando Xpeditus olhou pro encapuzado, que já lhe indicava a escadaria, pensou ter ouvido em sua cabeça:

“Que Hagalaz coloque uma das chaves no seu caminho!”

Mas talvez fosse só um efeito alucinante das porradas que já tinha tomado até aquele momento, tudo num mesmo dia.

Na tenda da bruxa, após mais uma dose de madeirada, Arley pergunta:

– E aí Myla, foi bom pra você?

Exausta, a bruxa nem responde. Arley insiste na investigação:

– Myla, me tira uma dúvida? E os senadores? Costumam usar os seus serviços?

– Os senadores têm seus próprios haréns, tigunar.

– E você nunca pertenceu ao harém de nenhum deles? Gostosa desse jeito? Duvido.

– Até hoje, só servi a dois senadores, Numbigus e Sansimila.

– Sério?

– Eu poderia jurar que você estaria servindo a Janus. A mulher dele poderia ter fugido se descobrisse… Agora, se não é o que eu pensava, você sabe o que houve com a família dele? É óbvio que a mulher não o largou porque encontrou outro…

– A mulher de Janus não fugiu com ninguém. Os capangas de Boquisosi sequestraram sua família. Mas é melhor pararmos de falar disso aqui.

– Myla, tu é danada hein?! Pegou no meu ponto fraco: sou curioso demais. Agora tô na secura por essa história… – Explica o tigunar, arremessando na cama todo o resto de moedas que levava em um pequeno alforje:

– Diz aí, por que ele mandou sequestrar ela? E onde ela tá escondida?

– Tigunar, deixe-me lhe falar uma coisa: Dankel é a melhor cidade para uma pessoa livre viver em Asgaehart, mas há um preço. Está vendo aquelas muralhas ali? – Aponta Myla para as paredes fortificadas da cidadela que podiam ser vistas de uma pequena abertura lateral em sua tenda.

Arley acompanha a fala com interesse, e a bruxa continua:

– Dali pra dentro, somos senhores do nosso destino, e não pagamos nada a ninguém, a não ser que desejemos comprar algo. Não é como nos seus reinos, em que vocês precisam se curvar a reis e príncipes. E o preço é pequeno: não nos metemos nos negócios dos senadores.

– Eu te entendo. Te confesso que minha curiosidade às vezes é mais forte que eu. Mas obrigado por tudo. – Contenta-se Arley, recolhendo as moedas. E finaliza, arrumando suas roupas e levantando-se para deixar a tenda:

– Um dia voltarei, pois você é formidável… E o cigarro só não é melhor que você! Até qualquer dia!

Antes do tigunar sair, no entanto, Myla sussurrou no seu ouvido:

– Procure nas colinas baixas do desfiladeiro, perto de Barbeij…

Surpreso, mas bem satisfeito, Vanila dá mais um beijo na bruxa e exclama, com um sorriso no rosto:

– Deixa minha curiosidade em paz, minha Deusa! Valeu!

Continua…

1 thought on “113. Arley e Myla Yumanotz

Deixe uma resposta