146. Preparação para a batalha
O Gardahal
Antes: 145. As Ordenações Iniciais da Cavalaria Velga
Para enfrentar a tal Quadra inimiga, a Clave tinha designado mais uma vez alguns de seus melhores guerreiros para empunhar as armas do Tiwaz, guardadas pelos sacerdotes trihagar desde que foram usadas para caçar Calto. Uma patrulha Krieg da elite velga, liderada por um dos guerreiros de patente mais alta naquele momento: o general Krul Petersen, um veterano de missões bem-sucedidas, como aquela que resgatou a Rainha Anni de Viktoria.
O próprio Krul selecionaria seus companheiros para a missão. Empunhando a bazuca de flechas do Tiwaz, ele escolhera dois velhos conhecidos da Bruma, Haia Khan e Melvis Merlin, para levar os estandartes de proteção. Como disse o general, eles seriam a contenção da equipe, dando a cobertura necessária para os demais. Para usar o pesadíssimo Pique, um ferro da grossura de um pulso humano, com mais de três metros de comprimento, Krul tinha convocado Otu Bek, um vilando oriundo de um clã guerreiro de Van Hal, o mais preparado para aquele tipo de arremesso. Durante um tempo, os quatro cavaleiros treinaram juntos algumas vezes, tendo as cargas dos cristais de Xart sendo cuidadosamente renovadas por sacerdotisas de Travel, para que não fossem inutilizados.
Haia Khan, recém promovido a Gargo, estava se dedicando a aprimorar suas percepções sensoriais, e já podia até produzir e manipular as brumas de fuga, sono, fogo, brilho e ilusão. Com a orientação do atual líder da cavalaria mística, o Gargo Gigantrix Owen Petersen, Haia estava sendo treinado para assumir o comando da equipe, caso Owen fosse promovido à Clave algum dia. Seu DK, o mago Melvis Merlin, também promovido a Gargo e companheiro na Bruma, gastava bem mais tempo no colegiado necromante. Por encomenda do general Krul Petersen, Imperatrix tinha criado uma manopla de metal capaz de direcionar uma única carga de energia infernal. Quando Merlin foi chamado para receber a nova arma, no entanto, o velho mestre advertiu o aluno:
– Eles realmente pensam que o guardião de Hagalaz foi convocado para lutar contra um rei bárbaro? Parece uma grande ameaça para você, jovem aprendiz? – Voltando-se para o interior de sua catacumba, após ter entregado a manopla para Merlin, o sinistro mago completa: – Eu enviei o jovem guardião para o templo dos sacerdotes do destino, para que ele conheça o máximo sobre o Gardahal e não faça bobagens… As velhas profecias afirmam que um dia ele será crucial para livrar este mundo de algo muito perigoso. E as velhas profecias nunca erram.
De fato, o jovem arqueiro de uma família cervejeira de Joy Divile, Weiss Bier, era uma das cartas que o general Krul Petersen tinha na manga. Os magos e sábios debatiam o motivo da aparição do guardião, pois aquilo deveria representar um grande perigo, como tinha alertado Imperatrix e os sacerdotes de Hagalaz.
Após um sonho, o jovem Weiss tinha sido conduzido para um templo em um local remoto nas montanhas do planalto velga, entre Darklands e as Terras Altas. Lá, sob a orientação dos grãos sacerdotes Hal Gurion, Ander Solus e Jason Saga, Weiss aprendeu muito sobre o Gardahal, uma dimensão intermediária entre Asgaehart e outros planos. O novo arauto também tinha aprendido a usar telepatia para se comunicar com os mestres, a qualquer tempo e lugar.
Após receberem a convocação do General Krul Petersen, Gurion alertou Weiss sobre a responsabilidade de ser o guardião do portal: o Gardahal não devia ser profanado. Mas o aviso não era necessário, pois o jovem percebia a grande reverência com que os três mestres tratavam aquele local ou dimensão. Nenhum deles quis jamais experimentar passar pela capa, embora Weiss tenha oferecido. Jason Saga sempre dizia que o Gardahal seria sempre uma bênção salvadora ou uma maldição completa para uma pessoa comum, e nada mais além desses dois extremos.
A segunda carta na manga do General era um velho amigo e companheiro de aventuras, há muito recluso em uma ilha rochosa longínqua, nos confins do Mar Rubro. Seu nome: Mit Maikon, antigo arqueiro de Joy Divile. Agora, no entanto, ele era um arauto de Hoguz, o deus do inconsciente e das profundezas, e habitava uma fortaleza cercada por um bosque mágico, onde passava os dias aguardando o chamado de uma voz interior, que vez ou outra designava uma missão no continente.
Todas as vezes que a voz interior o convocava, Mit tinha que retornar à ilha com uma cabeça e uma arma de um guerreiro inebriado pelo orgulho. Não adiantava recusar, pois a “voz” tomava conta de sua mente e corpo, e ele só “acordava” após a missão cumprida. A voz frequentemente aparecia do nada, com avisos do tipo: “em breve você ouvirá o chamado” ou “quando chegar a hora, você deve matar o inocente”, o que sempre o assustava. Nos intervalos, porém, ele era servido pelas ninfas do bosque, lindas e jovens criaturas que habitavam uma lagoa de águas mornas na pequena ilha, que satisfaziam seus desejos, o alimentavam, curavam seus ferimentos e divertiam suas noites com cantos, danças e outras artes sensuais.
Após alguns anos na ilha, Mit também tinha aprendido que os arautos de Hoguz evoluíam destruindo o orgulho. O que era um paradoxo, pois não havia maior orgulho do que ser um arauto de Hoguz. Afinal, só podiam existir dois deles ao mesmo tempo, e se acaso se encontrassem, teriam de lutar até a morte.
O novo arauto de Hoguz também estava cada vez mais hábil com os poderes de suas armas: usava uma armadura inquebrável que aumentava sua força; uma tiara elemental que lhe dava o poder de se comunicar e controlar animais das profundezas do mar e da terra, além de torná-lo imune a feitiços e encantos; e um tridente acumulador de energia sônica, que podia atrair ou emitir um pulso ultrassônico poderoso, com base nas pronúncias das palavras certas: “Ad Caeteris Lunis Hok”, nessa ordem ou de trás para frente.
Quando Krul Petersen apareceu novamente na ilha a bordo de um pequeno barco da Poster para convocá-lo, após anos, Mit sabia que aquilo tinha a ver com o tal “chamado”, e não hesitou um segundo em aceitar a proposta. Voando no raven cinzento, eles partiram de volta rumo ao continente para se integrar ao resto do grupo selecionado especialmente para enfrentar a Quadra de Ases. A missão final estava para começar.

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