148. Rumo à Gerânia
Hal Gurion, sacerdote de Hagalaz
Antes: 147. A missão de Krul e sua equipe
– Vamos de Raven, Mit? – Questionou o general.
A cidadela de Hanzi Radnar ficava no alto de uma montanha. Para chegar lá, era preciso subir uma escadaria que circundava a escarpa. Quando os visitantes chegavam ao portal, eram informados das regras para entrar. Regras que envolviam participar de um evento público girando uma grande roleta, e submeter-se ao seu resultado. E não se conhecia ninguém que tinha retornado de lá, sem que precisasse girar novamente aquela maldita roleta. A cidadela se localizava numa região da Gerânia conhecida como Grid Les Path, uma espécie de platô no alto do planalto central da ilha.
– Se alguém souber um ponto da montanha onde o Raven possa nos deixar sem sermos visto, seria uma boa! Mas não creio nisso…
– Poderíamos pousar com o Raven em algum lugar na costa oeste da ilha. E depois seguir a pé.
– Podemos ir pelo Gardahal. – Propôs Weiss: – O tempo lá passa bem mais devagar do que aqui. Chegaríamos muito rápido.
– Mas a distância é longa. Chegaríamos cansados. A não ser que possamos ir a cavalo. – Avaliou Krul.
– Acho que devemos guardar o Gardahal para momentos especiais. Vamos de Raven agora… – Insistiu Mit.
Já pensando numa forma de fazer os cavalos passarem pela abertura da capa, Weiss Bier resolveu se conectar mentalmente com os mestres do templo, e pede informações e orientações sobre a missão.
“A tábua das lendas tem registros feitos por escribas da antiga religião” – Informa Hal Gurion, antes de continuar: “Você não está pensando em colocar cavalos no Gardahal, certo?”
“Nao…” – Mentiu Weiss: “ Estava pensando em botar gente lá para ganharmos tempo”.
“Se colocar cavalos lá, eles serão farejados pelas criaturas da noite”.
“Criaturas da noite?”
“Não as desperte”
“Há outro meio além da Tábua de saber onde se encontra a Cornucópia Ametista?”
“Talvez os sacerdotes guerreiros da ordem Trihagar dos Países Rubros, no Velho Ocidente, saibam de algo. Mas não é certo. Ninguém nunca viu essa peça”
“E, finalmente, mestre: como posso rastrear a feiticeira que chamam de Mantala?”
“Ela domina a arte das ilusões. Detectá-la é uma tarefa quase impossível. Talvez Imperatrix, que a criou, saiba como achá-la”
Pelo tom do velho sacerdote, Weiss percebeu que ele não simpatizava com o mago supremo de Van Hal. Não era inesperado. Alguns seguidores de Hagalaz eram conhecidos como “caçadores de necromantes”, e Hal Gurion era o mestre de muitos deles. Os necromantes desafiavam constantemente a fronteira entre vida e morte, guardada com zelo pelo deus do Destino.
Após a conversa com Gurion, o guardião já sugeria que tentassem obter informações nos Países Rubros, quando Merlin se juntou a eles, avisando que Imperatrix tinha lhe dado o crânio de uma criança.
– Estou trabalhando nisso, quando Weiss não está por perto. – Destacou o necromante, pois sabia que praticar necromancias na frente do guardião podia dar muito errado.
Otu tinha acendido um charuto servido com dente-de-leão e outras ervas, o que empesteava o recinto.
– Ainda não tive uma visão clara, mas já sei que se trata do crânio de um filho de Mantala. Ela usou a criança para absorver os poderes de sacerdotes que estavam tentando curá-la. Eles não sabiam que a “doença” do menino era uma armadilha da mais ambiciosa aprendiz de Imperatrix. – Complementou Merlin, relatando a horrível narrativa.
Após algum debate, o grupo decidiu viajar no Raven do arauto de Hoguz, seguindo rumo à Gerânia pela costa gaulesa, evitando uma rota direta pelo Mar do Norte. Do alto, puderam testemunhar o domínio velga na região, pela quantidade de postos avançados do exército no Vale dos Reis e na Alta Gaules. Nenhum sinal da Quadra de Ases.
A única movimentação visível era a de tropas retardatárias se juntando ao esforço de guerra na direção a Joy Divile, onde se agrupava parte do contingente que invadiria Shyne. Mas toda aquela calmaria acabou quando começaram a sobrevoar o oceano em direção à Gerânia. Algo gigantesco tinha alçado voo do alto de um penhasco na Ilha de Nibel, agora chamada de Ilha da Morte. Algo aterrorizante.
– Puta que pariu. Dlagão. – Percebeu Weiss.
Era Gorgon, o dragão do norte. Tinha sido atraído pelo Raven, que já começava a refugar, intuindo o perigo ao longe.
