147. A missão de Krul e sua equipe

Otu Beck, de Van Hal

Antes: 146. Preparação para a batalha

As notícias do avanço das tropas mercenárias de Ighan para a cidadela de Shyne, como resposta aos movimentos de preparação dos velgas em Joy Divile, já tinham chegado em Van Hal. Segundo os relatos, tratava-se do maior exército jamais reunido em Asgaehart. Alguns falam em cerca de cem mil guerreiros reunidos pelo Imperador do Oriente.

As forças comandadas pela Clave contavam com metade desse efetivo, reforçadas por cerca de cinco mil guerreiros gauleses e três mil cavaleiros da távola céltika, reunidos em Viktoria, convocados pelo chamado quase imperial dos velgas. Mais duas mil citroyanas apareceram voluntariamente para lutar ao lado de seus aliados históricos, totalizando cerca de 60 mil soldados para enfrentar a maior horda bárbara de todos os tempos.

Um pouco antes da Clave ordenar a marcha das divisões de Van Hal para o front de guerra em Joy Divile, uma informação intrigante chegou à cidadela. Da misteriosa Ilha da Gerânia, sacerdotes da casa de Hiniar informaram aos seus irmãos de Van Hal a visita da poderosa feiticeira Mantala ao repugnante povoado de Hanzi-Radnar, na parte central da ilha.

Segundo os relatos, ela teria sido recebido como uma rainha pelos “Amigos”, título dado aos cidadãos da única classe com direitos naquele lugar maldito. Como era cantado em verso pelos bardos do norte, quem desejasse entrar para aquela comunidade deveria ser submetido aos desígnios de uma roleta, que podia apontar destinos terríveis, tais como servir de escravo aos Amigos, ser espancado, humilhado e escorraçado, lutar pela vida numa arena contra feras, monstros ou outros visitantes, ou até mesmo uma morte direta dolorosa queimado, ou afogado, ou cozinhado, ou estripado, ou crucificado, ou empalado. Tudo isso para celebrar os desígnios de Hagalaz, de acordo com a interpretação deformada da seita que dominava o único povoado da Gerânia.

Os Amigos de Hanzi-Radnar também guardavam a Tábua das Lendas, uma enorme pedra negra entalhada com caracteres rúnicos do ciclo anterior, ao redor da qual foi construído o templo da cidadela, que era localizada no alto de uma montanha de paredes rochosas, somente acessível por uma escadaria que circundava a escarpa, formando uma muralha natural que explicava a existência daquele estranho “oásis” numa ilha como a Gerânia. Esta era a preocupação dos sacerdotes: Mantala teria ido atrás das informações sobre a lendária Cornucópia Ametista, que estariam gravadas na Tábua. Esta cornucópia teria o poder de controlar qualquer ser vivo, incluindo dragões de fogo.

A Clave já tinha definido sua estratégia. A Cornucópia Ametista, se existisse, não podia cair nas mãos de Ighan. Para isso, a tal Quadra de Ases precisaria ser parada. Krul Petersen lideraria a equipe que ele mesmo tinha selcionado. Para o general da Dokhe, Hagalaz já tinha definido que o jovem prodígio Jules Flanagan deveria usar a lendária armadura dourada na batalha final.

A Clave confirmou a proposta de Krul por aclamação. Após séculos, a cadeira de Megatrix teria um novo dono. Dessa vez, como das últimas, a posse não seria transitória. A amazona Elena de Aquitan, mãe de Andressa, foi indicada pela Hokhe para assumir o cargo de nova General da cavalaria sagrada.

Antes da partida das tropas para Shyne, Krul Petersen entregou ao novo Megatrix um colar com o brasão de sua família, com dois chifres de gargo cruzados. Mais do que companheiros de guerra, os generais das duas cavalarias tinham uma relação quase familiar. Jules era da mesma faixa de idade e muito amigo dos filhos de Krul: Hank, Luke e Dan Petersen. Após a morte do pai de Jules, o gargo gigantrix Jon Flanagan, Krul tinha se tornado um modelo de postura e confiança para o jovem oficial de Van Hal.

Agora, a patrulha de elite liderada por Krul Petersen tinha que decidir o que fazer. Para o general, uma visita à cidadela de Hanzi-Radnar, na Ilha da Gerânia, parecia inescapável, ainda que ele relutasse em aceitar a hipótese de se submeter à roleta:

– Se alguém tiver uma sugestão melhor, eu agradeço. – Afirmou o general da Dokhe, enquanto via as tropas comandadas por Jules Flanagan se afastando de Van Hal, rumo ao front de guerra.

Aquele era de fato um grupo condecorado. Krul, general da Dokhe; Haia, Merlin e Otu eram oficiais Gargos. Os quatro portariam as armas do Tiwaz. Quando deixou a cavalaria, Mit era um Destinado. Agora era Arauto de Hoguz. Weiss Bier era o único cavaleiro formado sem patente, mas usava o manto de Hagalaz.

O arco balestra do Tiwaz era um mistério de engenharia. Quando um cristal de Xart carregado era acionado, a traquitana disparava um projétil de metal com um metro de comprimento, da grossura de um dedo indicador, com um alcance de mais de 100 metros. E ainda havia quinze cristais ativos. O Pique era uma lança longa, com mais de dois metros, da grossura de um punho. Tinha ainda 5 cristais ativos, que quando acionados, faziam com que a lança brilhasse e atravessasse qualquer proteção. Já os estandartes podiam criar um campo de força circular, com cerca de 50 metros de raio, fisicamente instransponivel, o que funcionava como um escudo de energia. Tinham três cargas cada um.

Quando ouviram as notícias sobre a missão de Jules Flanagan, que a essa altura já tinha deixado a região para comandar as tropas velgas na invasão de Shyne, o general Krul Petersen pareceu satisfeito com a parte do plano que lhe cabia:

– Só vai nego que brilha. – Disse Krul, motivando a equipe.

Já Otu estava mais ressabiado com a missão de Jules, pois era um guerreiro experiente, mas jamais tinha ouvido falar de algum exército com aquela quantidade absurda de efetivos:

– Caralho, vamos bater de frente com cem mil? É isso?

Continua…

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