120. Arley no Desfiladeiro de Áden

Desfiladeiro de Áden

Antes: 119. Mortagwan e Lizander

No camarote, Ipa compartilha seu plano com Merlin, Haia e Arley: vai levar uma menina para Wilsu, logo depois da festa, para distraí-lo e entrar na alameda. Arley então sugere que precisavam investigar em Barbeij. Todos concordam, mas somente Arley estava livre de suas obrigações oficiais ali, pois Pet tinha ido de arrasta. Ipa então se oferece para cuidar disso, pois tinha certeza que seu campeão Suva Kaun chegaria à final. Na verdade, queria era fazer qualquer coisa para ficar por ali o quanto pudesse.

Arley então adiantou-se ao pajem que o acompanhava:

– Vou meter o pé. Meu competidor morreu. – Lamentou o tigunar, como se Pet já não tivesse morrido há horas.

– Deseja ter seus cabalos de volta, senor?

Arley acena positivamente com a cabeça. A cavalo, levaria algumas horas de galope, atravessando o Desfiladeiro de Áden. Ele sabia que era um território de tribos selvagens, mas não havia alternativa melhor. Pelo terreno acidentado dos Piktos seria ainda mais perigoso, além de bem mais demorado. Decidiram dar um perdido nos pajens, passando na tenda de Myla antes de sair da cidade. Foram seguidos pelos pajens e guardas, como previsto.

– Myla tá por aí? – Perguntou Arley, quando avistou uma bruxa velha por ali.

A anciã grita por Myla, que logo aparece:

– Já ficou com saudade, Tigunar? Achei que tinhas uma missão.

– Eu tenho, mas precisava te ver antes… Posso entrar pra falar com você?

Ela acena já guiando Arley para dentro.

– Preciso de ajuda pra me livrar dos pajens e guardas e vazar pelos fundos da sua tenda. – Explicou o tigunar, objetivamente, antes de concluir: – Vou chamar dois amigos aqui, e fingir que pagamos uma orgia. Me ajuda?

– Mas, quando vocês saírem, eles nos matarão todas nós, tigunar! – Protestou Myla.

– Mas eles não saberão.

– Como assim? Alguma hora vão perceber a armadilha, e nem vão querer saber por onde vocês saíram para passar a gente no fio da espada.

– Esqueça a ideia. Jamais arriscaria sua vida, minha bruxinha. – Aceitou Arley, cabisbaixo, antes de ter outra ideia:

– Venha comigo então.

– Para onde, tigunar? Não há lugar melhor que Dankel para uma pessoa como eu. Em todos os demais reinos, há algum tipo de seita sacerdotal que caça bruxas.

Era a mais pura verdade. Arley sai da tenda frustrado, acenando negativamente para os companheiros. Teriam que sair dali oficialmente,ou chamariam a atenção de todos. Mas, naquele momento, só Arley estava qualificado para vazar sem deixar suspeitas. Haia e Merlin então decidem voltar para o camarote.

O pajem conduz Arley até uma estalagem, onde lhe entrega seu cavalo e o de Pet, já com o cadáver do guerreiro pendurado. Tinham providenciado a remoção do defunto. Para a viagem de volta, o tigunar também recebeu uma mochila com provisões.

– Precisa de escolta, senor? Está sozinho agora. – Ofereceu o rapaz.

– Quero não. Vou só.

– Espero que tenha uma boa viagem, e lamentamos pelo seu amigo, senor!

– Obrigado! Também lamento…

Assim que se afastou de Dankel pela larga estrada calçada com pedras que descia a colina até a Floresta de Agnix, por onde tinham vindo, Arley não esperou a passagem pelo posto de guarda para se desviar da trilha que levava a Aussflag. Tomando o rumo sudeste, logo alcançou a entrada do Desfiladeiro. Antes de seguir, porém, fez uma oração para Hevelgar e deixou o corpo de Pet numa caverna, com uma pedra cerimonial em cima do peito, já que não tinha tempo para enterrá-lo.

– Seja o que Hevelgar quiser. – Pensou alto o tigunar, agora galopando pelo desfiladeiro, montado em um cavalo, e conduzindo o outro.

Quando já era perto do fim da tarde, Arley percebeu uma fumaça saindo do interior de uma caverna, bem no caminho por onde teria de passar se quisesse encurtar o trajeto. Pensou no pior, mas decidiu investigar o que era. Quando chegou perto, o tigunar escutou o som de uma flauta, tocando uma velha e conhecida canção rubra. Reduziu para um trote e foi se aproximando do local. Poderia passar reto e seguuir adiante, mas ficou curioso e se aproximou da entrada da caverna, que era bem estreita. Os cavalos não poderiam entrar ali. Agora ele podia ouvir claramente o som da flauta… e risadas. Pensou ser algo familiar. Logo ouviu também o crepitar de uma fogueira. “Se estão rindo, estão felizes. Vou entrar”, pensou o negão das Terras Altas.

Quando adentrou a caverna, Arley logo reconheceu Ferro tocando a flauta para uma jovem sacerdotisa de Virgo. Eles estavam bebendo vinho ao redor da fogueira. Ferro então para de tocar e cumprimenta o amigo:

– Arley meu bom jovem! Andressa já tinha previsto que tu chegarias por aqui a essa hora… Conseguiu as informações da família, meu consagrado?

Aquele filho da puta era mesmo sagaz.

Continua…

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