Lizander, de Citroya

Antes: 118.  O primeiro duelo do Veroforte

– Não fala nada das chaves, Suvaca. – Sussurrou Xpeditus, quando Mortagwan lhes fez a pergunta.

– Não. – Respondeu o tigunar.

– E vocês? – Questionou Xpeditus.

– Pegamos a chave azul. Agora temos de achar mais uma. E depois iremos juntas procurar as duas portas. Mais seguro. Já deixamos três cadáveres pelo caminho.

– Então boa sorte pra vocês. – Quis encerrar o nativo de Para Hyba.

– Devem restar peu concorrents. – Afirmou Lizander, misturando línguas e sotaques.

– Maybe. – Respondeu Suva, na língua dos bárbaros, já acendendo um cigarrão da erva Dente-de-Leão, para relaxar.

– Não seria melhor seguirmos juntos? Quatro é melhor que dois.

– Não. Tu me deu um chá de boceta que me fodeu. – Reclamou Xpeditus.

– Mas eu te paguei, guerreiro. Não gostaste? – Argumentou a cavala.

– Cada cachorro que lamba sua caceta. – Decretou Suva, antes de oferecer um tapa do cigarro aos demais: – Isso aqui não é suruba pra ir quatro.

– E as portas de saída? Encontram alguma? – Lembrou Xpeditus.

– Vimos a porta branca e a preta já abertas. Alguém já tinha passado. E a verde, mas não temos a chave.

Suva e Xpeditus se entreolham, pois a chave verde também estava com eles. O da Para Hyba não aguentava mais aquela porra de labirinto. Mais um tempo iria acreditar que tinha nascido ali. Já o tigunar só pensava em levar o cinturão para Joy Divile. Suva tinha certeza de que era sua missão derradeira pela Hokhe. Na última, tinha voltado pra casa todo arrebentado. Como já era viciado na poeira, não viveria muito mais. Se sobrevivesse, era tempo de se aposentar.

– Posso devolver a energia que peguei emprestado com você, cavaleiro de Aquitan. – Propôs Mortagwan, estendendo a oferta para Suva: – E você pode ganhar um pouco de brinde, tigunar. Mas depois seguimos juntos, para achar as chaves e portas que restam.

Suva pareceu gostar da ideia, mas Xpeditus nem considerou. Sem falar mais nada, seguiu seu rumo sozinho pelo labirinto, com a chave verde. Vendo que o companheiro estava decidido, o tigunar também resolveu deixar as gostosas de lado. Afinal, ele sabia onde ficava a porta vermelha, e já tinha a chave. “Buceta pouca meu piru primeiro”, pensou.

Xpeditus Sai Onara de Para Hyba então voltou a sua peregrinação pelos corredores de pedra, guinando a esmo decididamente pelo labirinto. E virou à esquerda, e à direita, e seguiu reto, e à direita de novo, por um longo tempo naquelas galerias escuras, sem achar nada. Quando achou, era o que já tinha visto: a marca de sangue de gargo no chão. E continuou seguindo. E virou à esquerda, e à direita, e seguiu reto, e à direita de novo, por mais um tempo. Perambulou tanto que achou mais uma vez o que já tinha visto: Guillon de Fler, de Galian, dessa vez acompanhado de outro guerreiro da mesma raça:

– Achou alguma chave, aquitano?

Xpeditus não quis luta nem conversa. Saiu correndo voado pelo mesmo corredor de onde tinha vindo, se embrenhando no escuro. Ainda sentiu o vento de uma lança arremessada em sua direção, que passou raspando em seu pescoço. Mas conseguiu sumir de vista. E voltou à sua odisseia labiríntica: virou à esquerda, e à direita, e seguiu reto, e à direita de novo, infinitas vezes. E acabou novamente vendo Lizander e Mortagwan, a quem ignou, ouvindo de longe a proposta em tom irônico:

– Não vai querer mesmo sua energia de volta, guerreiro?

E vagou, sem descanso, já achando que morreria de fome antes de achar a maldita porta verde. Até que ouviu o som de uma luta num corredor próximo. Resolveu se afastar. Não tinha nada o que ganhar ali. E seguiu, já meio no automático, esuerda, direito, reto, direita, até que achou a porta cinza, já aberta. Ouviu o som da galera vibrando. Outro guerreiro tinha saído do labirinto, pensou. Mas não era ele.

Continua…

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