Andressa, jovem sacerdotisa de Virgo.

Antes: 121. O torneio avança

– Glória a Hevelgar! – Exclamou Arley ao ver o oficial velga, aliviado:

– Ainda bem que são vocês… E sim, consegui informações.

– Andressa também teve um mau pressentimento sobre o teu amigo galã das Terras Altas… – Informou Ferro.

– Ela tem razão… Pet não é o campeão que esperávamos que fosse.

– Mas eu estava acalmando-a. Pode ter sido só um susto. É a primeira missão dessa jovem donzela de Aussflag. Fiz questão de que fosse acompanhada por um gigantrix!

– Senti como se Pet Xueiz tivesse se cortado feio… O que aconteceu com ele, Arlovski? – Questionou Andressa, que era uma ninfeta linda, recém promovida da Academia de Flâmages.

– Ele não sobreviveu

Andressa arregala os olhos:

– Por Virgo! Eu pensei que fosse uma missão diplomática!

– Deve ter sido um acidente! Ele caiu do cavalo, certamente! – Tentou amenizar Ferro, completando: – Pet gostava de se exibir na montaria…

– É, Ferro… Pior que eu disse a ele que isso um dia iria acabar com ele.

– Não disse, Andressa? Foi um acidente que todos até esperavam… A missão é tranquila. Logo poderemos libertar a família do senador! – Discorreu o membro da Clave, explanando o planejamento: – Lançaremos as brumas no cativeiro, todos vão dormir, missão cumprida, conforme o plano. Depois a gente passa os sequestradores e solta a família do cara.

– Tô dentro. – Concorda Arley.

– Mole. – Finaliza Ferro.

Andressa se anima. Ferro pergunta se Arley quer um pouco do vinho gaulês que ele trouxe, mas o tigunar declina.

– Se a gente cavalgar de noite, chegaremos de madruga na área montanhosa de Barbeij, para que Andressa possa sentir onde estão. Temos uns minutos antes de sair… Sabe tocar flauta? – Pergunta Ferro, começando a apertar um cigarro da erva Dente-de-Leão.

– Sabe apertar um?

– Foi mal, Ferro… Sei não. – Responde o Vanila.

– Então canta alguma coisa aí pra divertir a Andressa. Tem que ver como o sorriso dela é bonito! – Diz Ferro, galanteador.

– Tá beleza, sem problemas! – Aceita Arley, emendando uma antiga canção dos bárbaros que ele tinha aprendido com bardos viajantes do Mar do Norte:

– Conhece essa aqui gata: “She is like the wind…”, entoa Arley, emendando alguns versos na língua alamana.

– Muito boa essa música bárbara, Vanilla! – Exclama Ferro, satisfeito, já acendendo o baseado. Momentos depois, o gigantrix estava acompanhando o tigunar:

“Feel her breath on my face
her body close to me
Can’t look in her eyes
She’s out of my league!”

Ferro compartilha o cigarro com Andressa, enquanto escutam o tigunar interpretar com emoção aquela pedrada à beira da fogueira.

Após terminar o vinho, Ferro sai da caverna em que estavam, busca os cavalos em outra gruta próxima, e puxa o grupo pelo desfiladeiro, rumo a Barbeij. Após poucas horas de cavalgada, já de noite, o grupo avista o que deveriam ser fogueiras espalhadas no alto dos penhascos, nos dois lados da passagem. Eram apenas pequenos pontos de luz no alto, que se estendiam por uns 100 metros.

– Mole. – Comentou Arley, sarcasticamente.

– Deve ser a tribo vulkânica dos pictos. Os selvagens.

– São nossos inimigos?

– Inimigos? Melhor dizer que eles são predadores canibais. Comem humanos e o que mais tiver carne.

– Então a familia do senador já pode ter virado churrasco.

– Não devem ter levado a família do senador por aqui. Eles tinham tempo, e com certeza não queriam ser vistos. A essa altura, um batalhão de Saravessa já deve estar rumo a Dankel, para garantir o acordo de Ighan.

– Então temos que seguir. – Concluiu Arley. Andressa apenas observava, apreensiva.

– Mas eles não sabem que Krul Petersen também está com as forças da Dokhe de tocaia nos piktos, esperando o nosso sinal. Se tudo der certo, a aliança com Dankel será nossa.

– E como vamos passar dessa tribo? Na velocidade com os cavalos?

– Vai ser tranquilo. – Diz o oficial, claramente tentando tranquilizar a jovem sacerdotisa de Virgo.

Arley então se aproxima de Ferro e sussurra:

– E aí, já comeu?

O gigantriz apenas sorri para o tigunar, que continua intrigado:

– Por que todo esse cuidado com ela? Tu sabe que a nossa missão é meio suicida. Não seria bom ela já saber como é a vida nesse mundo afora?

– Meu velho, Andressa é especial… Não percebeu? Se ela ficar com muito medo, perderá o controle dos poderes e pode foder com tudo. Além do quê… É uma gracinha. Dá uma olhada nela… – Diz Ferro, suspirando com cara de bobo.

– Olha pra mim, cara. Tu tá bem? – Questiona o tigunar.

– Não podia estar melhor, Vanila.

– Se apaixonou?

– Quem não?

– Mas e aí? Passamos na carreira? Ou vamos no sapatinho pra não chamar a atenção? Se voar uma flecha nela, pelo que você tá falando, não vai dar certo.

– Se isso acontecer, o tempo aqui vai fechar.

– Andressa, você consegue sentir alguma coisa olhando essas fogueiras? – Perguntou Arley.

– Sim, já estava captando suas vibrações. São pobres inocentes, Vanila. Selvagens. Há alguns deles de vigília, esperando a próxima presa.

– Inocentes até acharem carne fresca. – Lembra Ferro.

– Vamos fazer o seguinte: despachar dois cavalos na frente, para atrair a atenção de quem estiver vigiando. Andressa depois vai na sua garupa, e a gente passa em silêncio.

– Boa, Vanila! Vamos amarrar uma tocha nos cavalo de isca. E seguir atrás depois, na moita!

– Então bora! – Gritou Arley, já começando os preparativos do plano.

– Não te disse que esse Vanila era bom, Andressa? – Elogiou o gigantrix.

– Obrigado, Ferro!

Os cavalos enviados como isca são então enxotados para seguir na frente, carregando tochas acesas. Quando passam pela primeira linha de fogueiras acesas, são alvejados impiedosamente por flechas. Ferro pede para fazerem silêncio, enquanto andavam cuidadosamente a passo algumas dezenas de metros atrás, na penumbra. Poucos minutos depois, eles param à distância, escondidos, e veem os selvagens descendo para capturar os animais abatidos. Após o fim do serviço, conseguem atravessar a área com cuidado, enquanto Andressa lamentava pela vida dos equinos.

Pouco tempo depois, já estavam cavalgando novamente na direção da vila de Barbeij.

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