121. O torneio avança
Akilon, de Venez
Antes: 120. Arley no Desfiladeiro de Áden
Quando o campeão de Joy Divile chegou à pesada porta de pedra vermelha, encaixou a chave na fechadura e girou, fazendo o mecanismo destravar. A passagem revelou a passarela que conduzia ao ringue. A multidão então viu Suva avançando e gritou em êxtase. Um venegasco muito forte, de raça vulkânica, o aguardava. Seu nome era Akilon, de Venez. O mesmo que, ainda no labirinto, tinha perseguido Xpeditus junto com dois outros guerreiros.
Suva deu mais um teco na poeira cristal, e caminhou calmamente até a plataforma de pedra, pronto pra luta. Tinha se preparado a vida inteira para aquele momento, na verdade. Akilon então ergueu seu machado de guerra, cumprimentando a plateia e o rival, no que foi respondido com muitos gritos de incentivo à porradaria. Suva apenas mexe a cabeça, quase imperceptivelmente, em resposta. Logo depois, sem perder mais tempo, o gigante tigunar corre na direção do venegasco, tomando a iniciativa do combate.
– Nero sporco! – Xinga o campeão de Venez, parecendo surpreso, antes de conseguir defender com sucesso o golpe de Suva, usando um escudo.
Em seguida, o tigunar consegue acertar uma porrada no braço de Akilon, e tenta aproveitar a aproximação para tentar agarrá-lo. O vulkânico quase cede à extrema força de Suva, mas se equilibra e resiste à tentativa de queda. Após mais uns segundos de estudo e golpes no vazio, o negão de Joy Divile consegue uma nova finta, se aproxima, agarra o adversário e o arremessa violentamente no chão. O impacto desnorteia Akilon, que solta as armas numa tentativa desesperada de evitar o mata-leão que Suva já tentava lhe aplicar, agarrado às suas costas. Já não era mais possível. Com extrema ignorância, o tigunar o esgana sem piedade, até o sangue começar a minar de seu nariz.
No camarote, a elite da cidade aplaude a carnificina, enquanto a plebe na torcida ia ao delírio, gritando para que Suva lançasse o corpo do rival vencido na lama. Mas, contrariando a galera, o tigunar calmamente se levanta e arrasta o cadáver de Akilon para a beira do ringue. Quando o escudeiro de Venez se aproxima para resgatá-lo, Suva joga o corpo até ele, e sai dali calado, enfrentando a ira da torcida:
– Fillo de puta! Tira o cadáver á lama!
Agora ele era o segundo competidor a chegar no ringue da semifinal. Seu adversário sairia de uma luta entre Kundahar, de Cibel, que já esperava ali, e alguém que ainda estava dentro do labirinto. No outro lado, Stonehand aguardava na outra chave, olhando para Suva de cara feia. O tigunar não precisou se esforçar para devolver, pois sua cara era feia por natureza. Stonehand, por sua vez, era deformado. Mãos desproporcionalmente grandes em relação à cabeça. Dava-se ali uma competição de repugnância.
De repente, para inflamar novamente a torcida, duas mulheres saem ao mesmo tempo do labirinto. Lizander e Mortagwan, que parece ferida no ombro, caminham pela passarela. A multidão vibra com as guerreiras! A campeã de Darklands chega até um ringue vazio, mas Lizander se encaminha até a plataforma onde está Kundahar. Teria início agora a luta que decidiria o oponente de Suva Kaun na semifinal.
A vilanda de Citroya era uma verdadeira égua, grande e forte, mas também muito ágil e agressiva, como um felino. Kundahar, por sua vez, era um velga gigantesco, de queixo duríssimo, com muita cara de ter algum sangue bárbaro. A briga segue encardida por algum tempo, com muito equilíbrio, até que a amazona arrisca um movimento arrojado e consegue decepar a cabeça do adversário com um golpe preciso. Para alegria da galera, Lizander ergue a cabeça do cibelo com elmo e tudo, como um troféu, que ainda sangrava pelas artérias seccionadas, melando seu ombro e braço direito.
Acenando para a multidão em delírio, Lizander arremessa a cabeça de Kundahar na lama. Ela então caminha lentamente na direção do ringue da semifinal, onde Suva Kaun a espera. A torcida parece ter escolhido a gostosa, o que era muito compreensível. Ao chegar, a amazona faz guarda com sua espada longa, e começa a circular. O tigunar se mantinha calmo, olhando fixamente para a rival. Suva avança, fazendo com que a vilanda continue girando pelo ringue. Claramente jogaria no contra ataque, esperando algum erro do oponente.
Após as primeiras escaramuças, Lizander mede a distância e consegue ferir Suva com um corte na barriga. O tigunar perde a concentração por um instante e recebe outra porrada da citroyana, mas absorve bem. A briga fica mais violenta com a irritação de Suva, que não consegue achar a rival. Mas a vilanda acaba se precipitando após conseguir cortar novamente o negão, dessa vez na perna, e abre o flanco. Foi o suficiente para o campeão de Joy Divile encaixar um porradão com seu montante, parcialmente absorvido pela amazona com seu escudo, que quebra, a levando ao chão.
No camarote, Haia dá uma olhada sarcástica para Alian,com quem tinha apostado, segundos antes de Suva finalizar a luta cravando sua enorme espada no peito da amazona. Contrariada, a vilanda entrega a Haia sua parte da aposta e sai do camarote para reclamar o corpo da companheira. A torcida vibra, urra e grita, alguns de raiva, outros de delírio, e pede o corpo da derrotada para o vencedor. Mais uma vez, o tigunar ignora os apelos e silenciosamente arrasta o cadáver de Lizander até a beira, entregando-a para Alian. Agora ele era o primeiro guerreiro da história a pisar no ringue da final do Veroforte.
Continua…

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