142. Haia e Merlin resgatados
Cripta de Hagalaz no Mar de Hill
Antes: 141. A coleção de Vitiferralis
Ao chegar naquele ambiente tomado por gemidos e lamentos de pessoas aprisionadas em garrafas de vidro, o grupo logo conseguiu escutar os gritos de Mortagwan, a última a ter sido levada. Àquela altura, Haia e Merlin já se encontravam bastante debilitados.
Andressa se adianta, sobe no pedestal onde estava a garrafa de Mortagwan, e quebra o vidro da mesma com sua lança. A amazona estava completamente nua e desarmada ali, sofrendo com a posição contorcida no recipiente.
Gian quebra a garrafa de Merlin, que cai ao lado do pedestal muito sujo, fraco e completamente fodido após ter passado dias preso naquelas condições. Sem condição alguma de caminhar. Andressa já o socorria com uma de suas mais fortes poções.
Eris consegue derrubar a garrafa que aprisionava Haia Kahn, que estava nas mesmas condições de Merlin: magro, emporcalhado de excrementos e incapaz de andar. Também tinha acabado de ganhar um corte na perna, devido a um caco do vidro quebrado.
Os demais prisioneiros não tinham muitas forças para fazer algo mais do que gemer, mas imploravam ajuda com os olhos aterrorizados. Temendo o retorno de Vito, Eris Van Vossen resolve encurtar o trabalho conjurando um vendaval fortíssimo no interior da caverna, que provoca a queda de uma dezena de garrafas. Os prisioneiros caem no chão livres, mas incapazes de se mover. Alguns deviam estar ali há mais de um ano.
– Ele está voltando! – Grita Andressa, alarmando o grupo.
– Sebo nas canelas! – Grita Gian, apavorado com a notícia.
– Temos apenas alguns minutos! – Informa a sacerdotisa.
Subir as pedras de volta até a trilha estava fora de cogitação. Não daria tempo. Resolveram pular no mar, Gian carregando Merlin e Gabirutz amparando Haia. Eris tenou se concentrar para que as correntezas ajudassem a arrastá-los dali para o mais longe possível. Mas era difícil conjurar os elementais naquea situação, nadando ou tentando boiar, e o resultado não foi satisfatório.
– Ele tá vindo! Ele tá vindo! – Andressa reforçou o alerta, ao perceber que a feiticeira elemental não conseguiria livrá-los de Vito.
A jovem sacredotisa de Virgo então resolveu tentar alguma conexão com os animais do local, e encontrou meia dúzia de golfinhos cinzentos, que se prontificaram a ajudá-la. Gian, levando Merlin, e Gabirutz, com Haia, se agarraram aos dois primeiros que chegaram. Logo depois, Eris também foi resgatada por um cetáceo. Mortagwan então grita para Andressa e Weiss, que ainda estavam ali:
– Vão vocês nos próximos que aparecerem. Vou mergulhar e prender a respiração quando ele chegar.
– Temos que sair daqui agora! – Exclamou Andressa, apontando para o alto, onde já conseguiam distinguir a silhueta de um draco voando do oeste, em direção àquela caverna.
Mais um golfinho aparece ali para ajudar, e Weiss cede a vez:
– Vai nesse, princesa. Vou mergulhar com Mortagwan!
Andressa aceita a boa ação e segue para longe dali com o animal. O arqueiro de Joy Divile e a amazona então mergulham o mais fundo que podem, de forma a tentar se afastar daquele local sem deixar rastros para o velho mago, que certamente ficaria muito puto quando percebesse a visita.
Quando Vitiferralis entrou na caverna com o animal alado, Mortagwan e Weiss tinham subido para respirar, e viram que o tempo literalmente fechou. A forte reação emocional do mago ao ver a destruição de suas obras de arte se traduziu no lado de fora em uma tempestade com relâmpagos e trovões. Densas nuvens negras repentinamente tomaram aquele canto do litoral do Mar de Hill.
Os dois então mergulharam mais uma vez, sempre se tentando se afastar cada vez mais longe da caverna de Vitiferralis. Menos ágil, Mortagwan acabou ficando um pouco para trás de Weiss, e numa de suas subidas para respirar, foi avistada pelo terrível mago, no momento em que este saía da caverna. Foi o suficiente para que Vito a dominasse, fazendo com que a amazona nadasse contra sua própria vontade de volta ao local onde tinha sido aprisionada.
Weiss percebeu que a campeã de Darklands não tinha retornado da última respirada e ficou tenso. Então decidiu que tentaria ficar embaixo dágua o maior tempo que pudesse, na esperança que Vitiferralis desistisse. Já no desespero, finalmente largou o arco, aljavas e tudo o mais que carregava, e mergulhou fundo. Foi quando viu algo que poderia ser sua salvação: perto da encosta, havia uma pequena gruta cuja entrada estava parcialmente submersa, eventualmente tomada pelas ondas e marés que ali incidiam. Com muita dificuldade, já no último fôlego, o arqueiro da Hokhe nadou até lá, onde pode respirar um pouco atrás da pedra.
Enquanto flutuava entre duas rochas, Weiss percebeu logo ao lado uma caverna alagada, na penumbra. Era um ótimo esconderijo. Quando nadou até o local, percebeu um estranho brilho púrpura emanando do interior da caverna. Curioso, o arqueiro saiu da água e começou a seguir a fraca luminosidade, avançando caverna adentro pela superfície irregular pedregosa. Alguns metros adiante, surpreendeu-se quando achou uma câmara retangular artificialmente escavada na pedra, completamente tomada por signos estranhos nas paredes. No teto, um cristal azul era responsável pelo brilho que fazia reluzir os caracteres inscritos em baixo relevo.
Mss o que mais lhe chamou a atenção, obviamente, era a tumba de pedra negra, polida, bem no centro da câmara, com um grande símbolo que ele conhecia bem: o H estilizado em cruz atribuído a Hagalaz, deus do Destino.
Continua…
