138. Massacre na praia

Wheat Bier observa os colonos fugindo em pânico

Antes: 137. Ataque à colônia

O brilho sinistro da Aurora infernal se espalhou pela areia da praia quase que de forma instantânea, sem controle, ocupando espaços de contorno irregular, mas em amplitude suficiente para dizimar a grande maioria de seres vivos daquela pobre colônia vulkânica. Poucas tendas não tinham sido afetadas. Um velho tinha perdido apenas o braço, e agora gritava desesperado sem saber o que fazer. Outro homem se arrastava sem pernas, urrando de dor sem sangrar, pois aquela energia cauterizava imediatamente as feridas da parte orgânica não atingida, se houvesse alguma.

Aquele era o sinal combinado com Gian e Donna Jorjina, que acenderam o cinturão de fogo, cercando os sobreviventes. Todo aquele cenário caótico fez com que o pânico tomasse conta do local. Os colonos que tinham restado, na maioria mulheres, velhos e crianças, também correram pela areia para tentar fugir dali.

No canto leste da praia, Marimbas foi alvejando um fugitivo de cada vez, como patos numa caçada cruel. Um, dois, três, quatro cadáveres tombaram com as flechas disparadas pelo tigunar. Testemunhando mais uma armadilha, muitos tentaram correr para o outro lado da praia, onde foi a vez de Wheat Bier contribuir para o genocídio, furando geral à distância. Era uma verdadeira cena de horror. Os poucos vulkânicos que ainda carregavam armas, começaram a largá-las e se jogar ao chão, rendidos.

– Boa mulecão! – Gritou Haia, já em segurança no platô.

Mas para Marimbas Dikristus nada tinha sido resolvido ainda. Sem parar de lançar flechas, continuou matando os colonos de longe, incluindo mulheres, velhos e crianças. Os gritos de choro e horror com a carnificina eram calados à base de furo na garganta. Haia começou a achar que aquilo já era um exagero, e caminhou de volta à praia, fazendo gestos para que os poucos da mesma raça que ele que ainda estavam ali deitassem e se rendessem. Mas ninguém deu-lhe atenção, o que era óbvio, pois o tigunar continuava largando o prego em geral, mesmo nos que estavam rendidos.

– Pra que isso, porra! – Gritou o vulkânico da Bruma, puto com Marimbas, que estava no outro lado da praia.

– Ferro falou que era pra dar o maior prejuízo possível. – Respondeu o tigunar, gritando alto, e confundindo a raça de bárbaros: – Prego nos alamano!

Os pouquíssimos colonos sobreviventes agora se concentravam no meio da praia, onde alguns já tentavam fugir com canoas, e outros mesmo a nado. Era o desespero em estado puro.

– Eles tão rendidos, caralho! – Exclamou Haia, incrédulo com a covardia.

Marimbas ainda matou mais uns quatro após o protesto do cavaleiro da Bruma. Duas ou três canoas já se afastavam pelo mar, enquanto alguns poucos choravam seus mortos na areia, praguejando contra os assassinos. Tomado pelo ódio, um deles se levantou gritando, correndo na direção de Haia para lutar contra ele, mesmo estando desarmado. O tigunar o alveja no coração, sem pena. Um silêncio sepulcral então tomou a praia.

Àquela hora, Wheat Bier também já tinha descido do platô para a areia, e avaliava se era possível acertar com flechas os que tinham fugido pelo mar. O arqueiro de Joy Divile até tentou lançar algumas, mas a distância e a escuridão do mar à noite logo o fizeram desistir. Aquelas dez ou quinze pessoas conseguiriam escapar:

– Porra… – Lamentou Wheat: – Quem mandou parar de flechar? Puta que o pariu! Haia ficou com peninha…

– A missão era expulsá-los daqui. – Disse Donna, que tinha acabado de descer à praia com Gian: Por mim, embarco todo mundo nessas canoas e mando meter o pé. O que acham?

– Eu concordo com você, Jojo. – Disse Haia, ainda contrariado.

– Sim. Metem o pé ou eu vou matar. Aqui não vão ficar. – Definiu Wheat.

– Acho que nunca mais vão querer voltar aqui, depois desse horror. – Avaliou a coroa.

Após a revista geral na aldeia, acharam o equivalente a quatro kabutz de ouro, que eles dividiram entre si, alguns barris de rum e peixe fresco estocado. Os sobreviventes que ainda não tinham fugido eram duas jovens, dois idosos, cinco crianças e um homem adulto, coverdemente escondido numa das cavernas da aldeia. Foram colocados em duas canoas. Antes de partirem, Wheat Bier deu algumas das moedas de ouro da sua parte do butim para as mulheres, que ainda estavam em choque.

– Bora assar esses peixes pra esperar o Ferro. – Sugeriu Haia, enquanto tentava mentalizar Andressa para facilitar o rastreio da sacerdotisa de Virgo.

– E beber esse rum. – Lembrou Wheat.

– Porra, ainda bem. Tô cheio de fome. – Comentou Marimbas.

Assim, fizeram uma fogueira e resolveram aguardar ali até que o líder da missão os encontrasse. Missão aliás 100% cumprida. E então beberam rum e comeram peixe conversando tranquilamente em meio a um cenário horrível, repleto de cadáveres e sangue derramado na areia.

Continua…

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