134. A patrulha de Ferro sobe a chapada

Gian Partenopolus, cavaleiro de Sunnig

Antes: 133. Planejamento de ataque

– Acho melhor capturar um colono desses, usando a Donna de isca para seduzi-lo… – Sugeriu Haia: – Jorjina, tu consegue seduzir alguém?

– Até sua mãe. – Respondeu a coroa, com um cigarro no canto da boca: – Basta sentir um dos meus perfumes.

– Linda. – Respondeu Haia, e tomou à frente do planejamento: – Então fechou. Tá resolvido, Ferro. Pegamos um vagabundo de lá e metemos a caixinha dentro dele. Depois devolvemos o cara pra aldeia, e Merlin aciona o mecanismo da Aurora à distância. Sem luta, sem riscos desnecessários.

– Pegamos como, campeão? Alguém vai ter de infiltrar lá, de toda forma. Seja pra plantar a caixinha ou seduzir um colono.

– Ele tá querendo tranferir a responsabilidade dele… – Pigarreou Dona Jorjina, depois de um longo trago.

– Eu vou com você, porra. – Respondeu Haia, brusco.

– Você e seu companheiro são da Bruma, mestres de espionagem e infiltração, e o puto quer me mandar pra linha de frente. Prefito o plano do Toni, e vocês plantam a caixinha no meio dos mendigos.

– Tá querendo economizar suas mandingas, coroa? Mão de vaca da porra. – Respondeu Haia, antes de aceitar a proposta do oficial: – Eu e Merlin vamos levar a caixinha até lá.

– Boa, campeão! É assim que se fala!

Fogueira estalando, garafão de vinho esvaziando, cigarro queimando, e nada do grupo sair.

– Gente, podemos até continuar discutindo o plano de ataque, mas antes temos de decidir como chegar lá… – Lembrou Andressa.

– Vamos de barco ou a cavalo, moçada? – Retomou Ferro.

– Não gosto de barcos. – Reforçou Haia.

Marimbas fumava um cigarro de dente de leão atrás do outro:

– Então só por causa disso vamos apertar o da saideira. E depois a gente sai. O que acham?

– Mas sai como? – Insistiu Andressa.

– Vamos decidir agora… Pode fazer aquilo que combinamos, princesa?

A sacerdotisa de Virgo então se afastou da fogueira, estendeu sua manta no chão e sentou-se em posição de lótus, palmas estendidas para o alto. Após alguns minutos de meditação em transe, Andressa retornou com notícias:

– Os grupos que seguiram pela montanha ouviram rumores de que Inferon estava sobrevoando a Chapada de Hill ontem…

– Se Inferon passou ontem, hoje deve tá descansando. Vamos pro lá. – Sugeriu Gian, de forma contraintuitiva.

– Tu tá maluco, porra? – Reagiu Jorjina: – Bora de barco.

– Tens medo de galinha voadora? – Ironizou Haia.

– Qualquer coisa tu seduz Inferon… Não era qualquer um? – Zoou Gian.

– Esse eu nem tento. Se o dragão vier por ali, eu vou pro outro lado. – Avaliou Jorjina.

– Tô de pilha tia… Bom, continuo preferindo ir de cavalo pelas montanhas. – Disse Gian.

– Tu tá é maluco de subir essa Chapada. Toni, se o grupo for pela montanha eu vou querer 2 kabutz! – Finalizou a coroa.

– Magali vai na frente e protege a gente… – Ironizou Haia.

– Depois que Calto morreu, Inferon tem voado por aqui regularmente. A coisa que um dragão de fogo mais respeita é outro dragão de fogo. – Informou Andressa, que obteve as informações por conexão com os líderes das missões que saíram antes.

– E aí, JoJo? Se Calto estiver sobrevoando a Chapada, e a gente estiver no mar, ele vai fingir que não viu a gente, né? – Perguntou o cavaleiro da Brum, irônico.

– Fio. – Respondeu Donna: – O que Andresa ouviu é que ele anda sobrevoando a Chapada, não o Mar de Hill. Eu não sei o que ele anda  procurando ali. Só sei que não sou eu.

– Por onde foi a maioria dos grupos, Andressa? – Perguntou Gian.

– A maioria desceu pra Flamme e foi pelo mar. Alguns grupos que iriam pela montanha também estão voltando quando souberam de Calto.. – Respondeu Andressa.

– Entendo perfeitamente. Alguém aqui já encarou esse pesadelo? Dragão de fogo é desespero, dedo no cu e gritaria. – Rememorou Jorjina: – Uma vez eu tava com uns brabo na missão. Tudo homem grande. Apareceu Gorgon e foi um salve-se quem puder!

– E aí, Ferro? Tem gente querendo ir de barco, mas a maioria continua a favor de seguirmos a cavalo pela chapada.

– O povo manda. – Decreta Ferro, decidindo pela maioria.

O grupo então segue a trilha de Halte que sobe a Chapada, serpenteando por mais de uma hora pelas colinas do local. Mais à frente, erguia-se imponente o abismo junto ao paredão de pedra no litoral do Mar de Hill, uma depressão com centenas de metros de profundidade.

– Pede pra Magali sobrevoar a região e ver se tá liberado, JoJo. – Sugeriu Haia.

– Boa. – Avaliou Marimbas.

– E depois o Merlin mata ela pra ver as imagens? Comeu merda? – Devolveu a coroa, rispidamente.

– Tu não pode ver pelos olhos dela, porra? – Resmungou o cavaleiro.

– Não. Tu tá viajando… Andressa pode captar sentimentos de animais, mas nem ela que tá treinando desde criança pode ver através deles. E eu não preciso soltar Magali pra ela obter essa informação dos outros pássaros que estão sobrevoando essa área. Deixa de ser burro.

– Manda ver então, Andressa! – Pediu Gian, no que foi atendido pela sacerdotisa de Virgo, que respirou fundo e começou a meditar, sem precisar deixar a montaria.

– O problema é que as meninas de Virgo só gostam de bicho bonito, guerreiro… Eu também consigo me conectar aos animais, mas me especializei em insetos, vermes e outros bichos escrotos. – Explicou Jorjina. E com Magali eu consigo falar, pois ela é mais inteligente que vocês.

Andressa sente um calafrio e exclama:

– Inferon está por aqui!

Donna Jorjina começa a dar meia volta com o cavalo. A jovem sacerdotisa continua a explanar sua visão:

– Ele está atrás de uma anaconda gigante, raríssima, talvez a última de sua epécie, que vive nas cavernas dessa montanha. Decidiu que vai comê-la.

– Essa anaconda deve tá com o cu na mão… – Riu-se Gian.

– Que mão, Gian? – Estranhou Haia, continuando a piada.

– Ele deve estar de olho em algo poderoso ou valioso no covil da anaconda… – Sugeriu Marimbas.

– Se for a lendária Boiúna Gigante, é uma espécie raríssima. Alguns magos fariam a festa com seus ossos, sangue e couro.

– É galera, acho melhor a gente voltar e ir de barco… – Repensou o cavaleiro de Sunnig.

Continua…

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