132. As Colônias de Vulkan

Antes: 131. Fim de Festa

539 cl. Mês de Hiniar. Os ventos ainda gelados da primavera anunciam mais um ano de tensão no front do oriente. A Dokhe do General Krul Petersen tinha retomado a cidadela de Danzig, devolvendo o poder à pequena nobreza velga do oriente, vassalos de Viktoria, com a contrapartida de que seria instalado na cidade mais um posto em fortaleza para uso como base das duas cavalarias. Mas o condado de Shyne e a aldeia de Sunnig continuavam sob mãos alamanas.

No ano anterior, os planos de Ighan Pendragon, o rei Mestiço, autoproclamado Imperador do Oriente, de estabelecer uma aliança estratégica com o Senado da cidadela de Dankel, tinham sido frustrados por uma missão enviada pela Clave: o tigunar Suva Kaun tornou-se o primeiro campeão Veroforte, mas acabou morrendo junto com seus companheiros Ipa Bier, Arlovski Vanila e Pet Xweyz. Suva teve um funeral de honra na sede da Hokhe em Joy Divile, onde um ginásio de treinamento foi construído em sua homenagem. O gigante Xpeditus Sai Obara também tinha ficado pelo caminho, surtado. Retornaram com a glória da missão cumprida o gargo gigantrix Toni Ferro, a gargo Mortagwan, o destinado Haia Kahn e o maverick necromante Melvis Merlin, ambos da Bruma, além da jovem profetisa Andressa de Aquitan, também maverick, recém promovida da Academia de Flâmages. Os velgas continuavam com o controle das rotas para o Oriente Esquecido.

Mas Ighan tinha um trunfo de respeito nas mãos. A equipe anteriormente conhecida como Pentagrama de Treva, depois que perdeu o arqueiro Igowai Xeri e o mensageiro Han Selmus, mortos pelo exército velga na batalha de retomada de Yaztrik, tinha se tornado um quarteto, com a entrada de um sujeito misterioso, mascarado, com a miraculosa habilidade de abrir e fechar portais dimensionais. Ninguém sabia ainda seu nome nem tinha visto seu rosto, mas ele tinha já demonstrado poder suficiente para fundir numa só as posições do arqueiro e do mensageiro no Pentagrama, como um verdadeiro ás.

O grupo agora era conhecido pelos povos do oriente como Quadra de Ases, disseram os espiões da Bruma que trouxeram tais informações. Além do mascardo, também incluía uma ambiciosa feiticeira velga renegada, ex aprendiz de Imperatrix, de nome Mantala, e um arauto do deus Helgar, um alamano intimidante chamado King Kraus. Mas o último ás do grupo, o gigante Stonehand, campeão de Saravessa e protegido de Ighan, tinha sido morto e decapitado por Xpeditus no ringue dos Verofortes.

Com a ajuda da tal Quadra de Ases, Ighan tinha conseguido roubar quase todo o lendário tesouro de Dankel, que ele agora usaria para contratar o maior exército de mercenários de todos os tempos, preparando-se para a batalha final contra os velgas, o que certamente não estava longe de acontecer.

Enquanto isso, na Clave, que tem se reunido com muita frequência, o general Jules Flanagan propôs a criação de uma nova patente: a de Gigantrix, o que findaria com a rotatividade na composição daquela mesa secular. De todos os gargos que costumam ser convocados pelos generais para as reuniões, na ordem de 40 (que já eram chamados de gargo gigantrix), 24 deles seriam desafiados a destruir, cada um liderando uma equipe da Krieg, as 24 colônias que os bárbaros vulkânicos, aliados de Ighan, espalharam no litoral da Chapada de Hill, Os selvagens vulkânicos eram hábeis navegadores, e aterrorizavam os pescadores de Flamme, no reino de Aquitan.

Para o gargo gigantrix Toni Ferro, da Dokhe de Van Hal, era a chance de ouro de nunca mais precisar arriscar a pele em missões de campo. Ele adorava aquele trabalho mole de ficar sentado discutindo as coisas na Clave. Tinha nascido pra fazer essa porra. Ligeiro, Ferro convoca seus colaboradores de outras missões, mas a vilanda Mortagwan informa que já tinha aceitado integrar a equipe de Diana Divile, uma gargo gigantrix da nobreza guerreira de Joy Divile, loira deliciosa. Ferro logo entendeu a preferência de Mortagwan.

Decidido, o gargo gigantrix resolveu convocar o destinado Haia Kahh, guerreiro da Bruma, a quem Ferro só chamava de “campeão”, para liderar a equipe de campo, junto com seu DK Melvis Merlin, o necromante da Bruma, de patente maverick. Merln estava animado, pois tinha acabado de aprender alguns truques novos com Mortagwan, na viagem de volta de Dankel.

Para fechar a equipe, Ferro arrumou dois arqueiros de Joy Divile, Marimba Dikristus e Wheat Bier, da Hokhe, irmãos dos falecidos Suva Kaun e Ipa Bier, e mais um DK formado pela cascuda e mal humorada Donna Jorjina, uma sacerdotisa de raça ileana, quarentona acabada, viciada em fumo de rolo, especialista em venenos e plantas alucinógenas, e o cavaleiro da Hokhe Gian Partenopolus. Todos com a patente de Maverick.

A Clave prometia uma promoção de patente a todos aqueles que voltassem vivos de uma missão bem sucedida. Para vivos e mortos, também seria oferecida a eternização dos nomes como codinomes da cavalaria. Mas Ferro não se contentava com isso, e prometia ainda mais: se a equipe fosse bem-sucedida, ele iria apresentar pessoalmente suas primas condessas, indicando casamentos arranjados, ou pagar 1 kabutz de ouro para cada um. Donna Jojina já mandou Ferro separar o dela, que ela está precisando pagar uns fornecedores meio violentos. Ferro então perguntou se Donna não preferia que ele fosse atrás dos sujeitos, mas ela argumentou que precisava deles para arranjar uns negocinhos.

Depois que os maiores guerreiros velgas terminaram a reunião na távola sagrada, um deles olhou para o horizonte do Lago Hal, do alto das escadarias que levavam ao salão da Clave, pensativo. Seu nome era Jules Flanagan, o general mais novo da história, integrante da missão que matou Calto, o dragão do leste, heroi dos velgas. Enquanto todos pensavam em destruir um Império inimigo, ele estava mais interessado em erguer outro, aquele que seria, de acordo com os seus sonhos mais ambiciosos, o primeiro Império Velga de Asgaehart.

Continua…

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