141. A coleção de Vitiferralis

Caverna de Vitiferralis no Mar de Hill

Antes: 140. Rumo ao covil do Tio Vito

A partir da conformação de que Inferon tinha passado por ali há pouco tempo, a tensão tomou definitivamente o rumo das conversas.

– Não tem ninguém que brilha aqui… – Avaliou Gabirutz, abrindo a boca pela primeira vez na missão.

– Inferon voou daqui para as torres do silêncio, a sudoeste. Pude sentir isso. – Continuou Andressa: – Pelo menos quanto a ele, temos algum tempo.

– Andressa, minha princesa. Talvez seja melhor mesmo voltar aqui com uma equipe mais preparada, em cinco ou dez anos… – Sugeriu Weiss, consciente.

– Chegamos até aqui para voltar? – Protestou Mortagwan.

Andressa parecia confusa. Gian resolveu bancar a situação com a vilanda:

– Vamos resgatá-los! Porra, gata! Chamou geral pra peidar?!

– Também posso sentir daqui que ainda estão vivos… – Disse a princesa.

– Então vamos nessa porra. – Concluiu Bier, meio a contragosto.

Poucos minutos depois, em completo silêncio, seguiram até o fim da trilha que levava a uma garganta, onde ficava a caverna que Andressa tinha visto em seu transe. Era o local onde Haia e Merlin estavam em cativeiro. Naquele ponto, não havia mais como continuar a cavalo. Enquanto desciam à caverna, Weiss olhava constantemente para o céu a sudoeste, o que era muito compreensível.

Continuaram descendo as pedras até que Andressa sentiu alguma coisa e pediu silêncio ao grupo. Sussurrando, ela pediu:

– Protejam-se!

Um draco desce de um penhasco próximo num bote perfeito, e ataca Mortagwan, que tenta se defender mas acaba sendo agarrada pelas fortes garras do animal alado, que a carrega para o alto. Weiss e Gabirutz tentam lançar flechas na direção do predador, sem sucesso.

– Mais uma pra resgatar. – Comentou Gian, sarcástico.

Quando finalmente chegaram perto da entrada, a oráculo de Virgo sussurrou aos demais:

– Vitiferralis está na caverna…

– Vamos esperar ele sair. – Repisou Weiss.

Após breve debate, resolvem seguir a tática conservadora de Bier. Entocados atrás de um bloco de pedra, aguardam por ali o resto da noite, sem que nada aconteça. Aproveitando para dormir em turnos, logo no início da manhã seguinte, Eris e Gian avistam o velho mago saindo da caverna montado em um draco, que voa na direção leste.

– É a nossa chance! – Alerta o cavaleiro Hokhe.

– Partiu! – Se anima Weiss.

Sem perder tempo, Andressa lidera o grupo, que desce as pedras com pressa até entrar na caverna. Logo na primeira gruta, muito ampla, a sacerdotisa para e avisa os demais:

– Há mais dracos aqui guardando a caverna.

Weiss e Gabiru engatilham flechas.

– Posso servir de isca pra que vocês os acertem. – Sugere Gian.

Com a concordância de Andressa, o jovem cavaleiro de Sunnig pede uma bruma de fogo para Eris, improvisa uma tocha com a própria espada e adentra a caverna, gritando e fazendo barulhos. Quando o bando de dracos se aproxima voando para atacá-lo, Weiss e Gabirutz conseguem flechar os dois primeiros animais, que emitem guinchos de dor e fogem dali com o corpo furado pelas peças de metal. O terceiro bicho consegue agarrar Gian, que não consegue golpeá-lo. O mesmo acontece com Eris, que é levada pelo último animal que saiu do interior da caverna.

Weiss acerta uma flechada fatal no draco que carregava a maga gaulesa, e o bicho desaba na caverna. Para amortecer a queda, a feiticeira elemental conjura uma corrente de vento forte que ameniza o impacto de seu corpo no solo, mas mesmo assim cai desacordada. Enquanto isso, Gian se debate e consegue escapar do captor em pleno voo, e cai rolando no chão de pedra, se contundindo e ralando algumas partes do corpo.

Gabirutz tenta acertar o bicho que levava Gian, mas erra. Weiss Bier não perde a chance, e derruba o último draco que guardava o local. Só pra conferir, o cavaleiro de Sunnig crava a espada no peito do animal, já estropiado no chão. Os cinco então continuaram descendo a caverna, até alcançar uma ampla galeria subterrânea com pelo menos 50 metros de profundidade e uns 20 metros de altura.

Quando Eris acendeu uma densa bruma de fogo, puderam ver aquele cenário aterrorizante. Dos dois lados se viam pedestais de pedra com altura de um metro. Cada um deles tinha uma garrafa de vidro em cima. Eram pelo menos umas 50 ali, 25 de cada lado. E a maioria delas tinha gente dentro.

Continua…

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