Numbigus, senador de Dankel

Antes: 126. A Consagração do Veroforte

Enquanto cavalgavam pelo Desfiladeiro de Áden de volta à Dankel, Ferro explicou para Lady Marissa que as tropas do general Krul Petersen também estavam de prontidão nos Piktos, perto de dali, com cerca de cinco mil cavaleiros da Dokhe prontos para batalha. Agora não demorariam mais do que uma hora para chegar à cidadela. O autoproclamado Imperador do Oriente, Ighan Pendragon, também estava prestes a entrar em Dankel com a mesma quantidade de homens. Segundo Ferro, eles pretendiam roubar o tesouro do Senado como parte do acordo.

Andressa seguia sorrateira pelas montanhas, com as filhas de Janus, rumo às Darklands. Tinha precisado usar umas brumas de fogo para afugentar Glonigs, nda muito perigoso. Antes do amanhecer chegariam a alguma vila perto de Bruxel, o que era sinônimo de estar em casa.

Já no baile de consgração do Veroforte, que tinha a previsão de durar três dias, Suva e Xpeditus encontravam-se completamente bêbados. Ipa Bier seguia tentado a deserdar, Melvis Merlin observava tudo como um autista alienado, e Haia Kahn se dividia entre foder uma das moças do harém e investigar para onde tinham ido Boquissosi e Sansimila. Os outros senadores continuavam por ali se divertindo, e somente Janus parecia contrariado.

– Suva, meu irmão! Queria ter mais uma oportunidade de sairmos na porrada! Mas acho que não vai acontecer… Só se a gente trocar uma taparia aqui e agora no meio da festa! – Gritou o Para Hyba, arrastando as palavras e soltando perdigotos de álcool.

O campeão nem ouviu direito. Àquela altura sua massa encefálica já era uma esponja derretida incapaz de ver, ouvir ou sentir qualquer coisa.

Depois de finalizar a novinha, Haia a levou para uma das portas da mansão, onde perguntou a um guarda:

– Aí, parceiro… Quero dar uma volta por aí com essa gostosa, tranquilo? – Disse dando uma golada numa caneca de cerveja.

O sujeito abre passagem, e Haia desce algumas escadarias pelo jardim, chegando a um terraço com fonte de água onde se podia ver a entrada da alameda. Além dos guardas, não viu mais ninguém.

Ao sair da sala de banho, quando cruzou com Janus, que mantinha aquela expressão mórbida de ansiedade, Ipa Bier subitamente pareceu despertar do encantamento da mordomia:

– Na vida… O homem tem dois tesouros… A família, e o ouro. – Ipa disse ao senador, com firmeza, apesar da bebedeira.

O senador arregalou os olhos, como se entendesse a mensagem cifrada.

– A família vale mais que o ouro. – Respondeu Janus, grave.

– Sua família estamos cuidando para ser salva. Já seu ouro, se tivermos tempo, podemos ajudar a preservar.

– O que sabe da minha família, velga? – Sussurrou o senador de Dankel, assustado, olhando ao redor para não causar desconfiança.

– Temos amigos ajudando. Amigos que nunca falham em suas missões. E não falharão agora. – Asseverou Ipa, antes de alertar: – Essa festa é um pretexto perfeito para os que cobiçam seu ouro.

– Tu não sabes o que está falando! – Respondeu Janus, incrédulo: – Eles querem o acordo com o Imperador. E vocês não têm como ajudar!

Nisso, Numbigus veio caminhando na direção deles, trazendo nas costas um pequeno macaco vermelho.

– Os partidários de Felix têm a maioria no Senado. Veja… Temos de parar de falar nisso. – Encerrou Janus.

– Felix? – Estranha Ipa.

– Felix Boquissosi. – Explicou o senador, parando de falar quando Numbigus chegou até eles. Mas Ipa continuou:

– Janus, sei que é difícil acreditar nas palavras de um desconhecido bêbado. Quer nossa ajuda para salvar seu ouro? Seguro morreu de velho.

Numbigus estranhou a conversa quando ouviu a afirmação. Com sorriso amarelo, acariciando o macaquinho, o senador perguntou ao estrangeiro:

– Por que precisaríamos de ajuda com nosso ouro, senhor Ipa de Van Hal?

– Agora talvez não precise. Mas depois, quem sabe? – Responde Ipa, bêbado como um gambá, alimentando o enigma: – Vamos beber juntos até o fim da noite… E verás!

– Acho que o senhor Ipa Bier está se excedendo na conversa. – Protestou Numbigus, já bem nervoso com aquela conversa.

– Perdoe-me então pelo excesso, senador! Mais um drinque, por favor!

Janus, que continuava transtornado, pediu licença e se retirou dali. Desceu as escadarias de entrada da mansão e saiu dali rumo à alameda. Melvis Merlin o seguiu. Numbigus deu mais um sorriso com seus dentes amarelados, e questionou Ipa:

– Vai aceitar o convite para ficar em Dankel, senhor Ipa?

– Tudo é relativo, senhor Numbigus…

– Mas aqui terias todo o luxo e riqueza, velga!

– Tu deves saber bem que luxo, riqueza e poder, sempre quando se acha que se tem muito, descobrimos que pode haver ainda mais.

Quando Merlin tentou sair da mansão para continar seguindo Janus, um guarda o interceptou, perguntando em um velga ruim:

– Onde vas, fio?

Enquanto isso, Numbigus ria nervoso com olhos entumescidos, indignando-se com as palavras de Ipa Bier:

– É por que tu nunca viste o tesouro do Senado de Dankel, velga! É maior que o do falecido Calto! – Proclamou o velho, com a língua nos dentes.

“Opa!”, pensou Ipa. Agora a conversa estava começando a tomar um rumo que ele gostava.

Continua…

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