Cães da raça Pastor dos Piktos

Antes: 124. A final do Veroforte

Arley, Ferro e Andressa seguiram pelo Desfiladeiro de Áden rumo a Barbeij, para tentar libertar a família do Senador Janus. Já estavam galopando na reta final do vale, à noite, quando viram as luzes da cidadela começarem a aparecer lá em baixo, ao fim da trilha.

Ferro decidiu parar um tempo para que Andressa fizesse seu ritual de conexão, sentada em posição de lótus como estivesse meditando, depois de ter ingerido um líquido viscoso azul. Em transe, a jovem  sacerdotisa começou a recitar fórmulas numa linguagem obscura.

Enquanto observava Andressa fazer o seu trabaho, Arley questionou Ferro:

– Meu irmão, tu vai ficar atrás dela o festival inteiro?

– Quem gosta de prato feito é pedreiro, Vanila. Bode velho gosta de capim novo.

De volta à consciência, Andressa diz ter quase certeza de que a família sequestrada estava numa colina ao leste da cidadela, onde ela sentiu um “desequilíbrio de vontades” mais forte.

– Se não estiverem lá… – Informa a sacerdotisa: – Então só poderiam estar em algum casebre da parte central da cidadela, mas é pouo provável. Os descordos ali, segundo ela, eram do tipo mais pontuais. Na colina, ela sentia exatamente como se um pequeno grupo estivesse sendo mantido em cativeiro.

Quando o grupo se aproximou da região, que ficava a noroeste da cidadela, puderam ver uma casa de fazenda, com poucas luzes de archotes, bem ao longe. Ao redor, campos de trigo e milho. Ferro sugere que Arley dê uma espionada na casa da fazenda, enquanto ele e Andressa lhe darão cobertura.

Seguindo pela trilha que conduzia até a fazenda, Arley logo percebeu que seu cavalo não queria avançar mais a partir de um certo ponto, e empacou. Mau sinal. O bicho então se alerta, e começa a refugar e a empinar, querendo retornar. Ali, o tigunar só via o campo de milho, mas então percebeu que algo se movia rápido atravessando a plantação, em sua direção. Agora já dava para ouvir rosnados.

Arley olha para trás e vê Ferro e Andressa, onde tinham parado. Atendendo ao desepero do cavalo, ele dá meia volta e retorna pela trilha, quando todos enfim conseguem ver três imensos cães pastores dos Piktos saltando da plantação para a trilha, atrás dos intrusos.

Ferro grita e gesticula para que Arley fuja para outra direção, e que ele possa escapar com Andressa. “Que filho da puta!”, pensou Arley, mas mesmo assim atendeu ao pedido, desviando a direção do cavalo para outro ponto da trilha. O tigunar adentra os campos de trigo, mas acaba sendo alcançado pelos cães, que cercam o bicho, latindo e atacando em turnos. Arley tenta controlar o cavalo, que empina sem parar.

Ferro e Andressa cavalgam na direção da casa da fazenda. Arley então decide desmontar e ataca um dos cães com sua espada, ferindo o bicho. O cavalo parte em disparada, de forma a escapar dali. O tigunar acerta outro golpe forte no cão, mas os demais já tinham deixado de perseguir a montaria de Arley, e agora já retornavam para mordê-lo.

– Vão atrás do cavalo, porra! – Grita Arley para os cães, contrariado.

Ele então consegue matar um dos bichos, no exato momento em que os outros dois o cercam. Foi demais pra ele. A primeira mordida foi na mão da espada. Arley ainda tentou agarra o bicho, mas acabou mordido na cara pelo outro cão. Pouco tempo depois, o pobre tigunar já tinha sido estraçalhado pelos animais.

Enquanto Arley sucumbia, Ferro e Andressa invadiram a casa, e a sacerdotisa usou uma bruma de brilho para cegar os homens de Boquissossi que estavam de guarda por ali. O gigantrix então flechou todo mundo,com exceção da família do senador, que se encontrava amarrada em cadeiras.

Naquele momento, Andressa sentiu que Arley tinha morrido de forma horrível, e nenhuma de suas fórmulas de regeneração poderia recuperá-lo. Mesmo abalada, ela desamarra Lady Marissa e as filhas. Ferro pede que apenas uma das reféns vá com ele imediatamente para Dankel, como prova de vida. As outras seguiriam com Andressa

– O tempo está se esgotando. Temos de ir agora. – Avisa o Gigantrix, antes de avisar Andressa: – A essa altura, Ighan Pendragon já deve estar com 5 mil homens às portas de Dankel, prontos para assinar o acordo.

Lady Marissa, mulher de Janus, decide que ela mesma iria com Ferro.

– Os senadores não sabem, mas se deixarem as tropas de Ighan entrarem na cidadela de Dunkel, o filho da puta vai roubar o tesouro, com a traição de alguns deles… – Informa Ferro, para espanto da senhora que tinha acabado de ser libertada.

– Vão tirar o tesouro de lá para “protegê-lo”. E essa será uma das cláusulas do acordo “caracu” que alguns senadores querem assinar. Explica o oficial, antes de comandar Andressa para que leve as meninas pelos Piktos até alguma vila perto de Bruxel, nas Darklands. Sem falar mais nada, Ferro coloca Lady Marissa em sua garupa e parte galopando de volta para Dankel, pelo desfiladeiro.

Andressa agora conduzia as duas meninas em um cavalo da própria fazenda, passo calmo morro acima, mas ainda estava muito apreensiva com o destino de Arley. Traumatizada, fez uma oração à Deusa Virgo, de longe, mas não teve coragem de se aproximar do cadáver, que àquela altura não passava da cabeça ligada à espinha, e pedaços de carne mastigada espalhados no campo, enquanto os cães se alimentavam das vísceras do tigunar, numa sangueira espetacular.

Continua…

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