124. A final do Veroforte

O cinturão do Veroforte

Antes: 123. Segue o Mata-Mata

Absolutamente chocados com o resultado da última semifinal, quando o competidor da Para Hyba demoliu o favorito do Rei Mestiço e dos senadores, os escudeiros bárbaros logo se recuperaram da bebedeira, e desceram ao fosso para recuperar a cabeça e o corpo de Stonehand no ringue. A elite no camarote, por sua vez, cumprimentava Ipa e Merlin, que acompanhavam oficialmente dos finalistas.

A multidão, cada vez mais em polvorosa, agora aguardava a luta final do torneio. Uma banda de bardos, com trombetas, bumbos e tambores, começa a tocar uma música apoteótica, inflamando os presentes para o gran finale. Xpeditus avança pela passarela até o ringue final, onde seu companheiro Suva Kaun já aguardava. No camarote, Mortagwan tinha acabado de acordar da surra, e Haia já procurava um lugar no balcão para assistir á final. Melvis Merlin continuava alheio a tudo aquilo, entediado.

– Suva, agora temos um impasse. – Disse o Para Hyba, largando suas armas no ringue, o que era um código das cavalarias velgas para a proposição de uma Luta Justa, um duelo na mão sem regras, até alguém desistir ou apagar.

A torcida assistia atônita à confiança de Xpeditus. Se o tigunar quisesse, acabaria agora com o torneio, pois essa regra não havia no Veroforte, onde realmente não havia regra alguma. Mas Suva aceitou o desafio, deixando cair seu montante. Os dois brutamontes sairiam na mão lisa, até alguém se foder.

– Se prepara pra dormir, Para Hyba. – Provocou Suva.

– Vamos ver. – Respondeu Xpeditus.

O clima de tensão aumentou, e a banda parou a música, num toque épico de corneta. O senador Sansimila pediu a palavra, no púlpito do balcão maior dos camarotes, para anunciar os finalistas:

– De um lado, representando Van Hal, o tigunar Suva Kaun Dikristuuuuus!!!!

– Do outro, o campeão da Aquitânia, Xpeditus Sai Obaraaaaaa!!!

A galera vibrou, pois estava com o Para Hyba, que tinha atendido aos pedidos de carnificina. Mas Suva sentia-se calmo e pronto. Treinava desde criança para aquele momento. Uma vida inteira de dedicação. Mas foi Xpeditus que tomou a iniciativa, fez uma presepada e esticou um soco para cumprimentar o parceiro, com sucesso.

O tigunar engoliu o primeiro murro na cara, e sentiu que precisaria deixar tudo ali. Xpeditus voou nas pernas para tentar derrubar Suva, mas não teve sucesso e acabou tomando um confere de volta. Um a um, logo no início do jogo.

No camarote, Ipa Bier organizava apostas. Ele mesmo tinha colocado 3 moedas de ouro na vitória do Suva, e 1 na do Dito.

A briga segue encardida, com o tigunar levando uma leve vantagem no centro da arena. Os dois então se embolam no meio, trocam pegada. Suva então consegue acertar um cruzado que faz Dito perder as pernas por um segundo. Grogue, o Para Hyba já cai tentando fazer guarda com os pés, mas Suva aplica-lhe mais um botadão no queixo, que o leva a nocaute. Um silêncio toma toda a cidadela de Dankel por um segundo, quando todos explodem com a decisão do torneio.

Suva Kaun Dikristus, campeão de Joy Divile, cavaleiro tigunar da Hokhe, o reprsentante do Reino de Van Hal no torneio, era o primeiro Veroforte da história de Asgaehart.

Os bardos voltam a tocar. Dessa vez a música é de júbilo e glória. Agora já era noite em Dankel, e todas as tochas da cidade tinham sido acesas.

– Foi muito fácil. Avalia Ipa, no camarote, já sendo paparicado por todos no salão, que sabiam que ele e Suva seriam recepcionados como reis no baile que se daria a seguir para a solenidade de entronização do maior guerreiro de toda Asgaehart.

A torcida finalmente se rendeu a Suva Kaun Dikristus, o novo campeão. O povo invade a arena e ergue Suva nos braços, rumo ao camarote central. Nos camarotes, os senadores aplaudem. Mas o tigunar contém o ímpeto da galera, e aguarda seu companheiro acordar para seguir. No centro do ringue, quase pisoteado, Xpeditus começava a entender que tinha perdido a luta. Segundo lugar ali era a mesma coisa que bosta.

– A vida que segue, meu irmão. – Diz o tigunar, levantando o amigo, que ainda estava um pouco atordoado.

– Boa luta, Suva. – Responde o homem de Para Hyba.

O campeão abraça Xpeditus, e ergue seu braço para a galera.

– Valeu, irmão… Agora pode arrumar algumas anãs pra mim?

Já ao redor de um pódio montado no salão maior dos camarotes, estão os senadores Boquisosi, Sensimila e Numbigus, que traz nas mãos um cinturão feito com couro de dragão de fogo, com placa de ouro e cravejado de pedras preciosas. Quando Suva chega o local, o senador coloca o cinturão no campeão, que então se dirige ao degrau mais alto.

Boquissossi então proclama o tigunar representante de Van Hal como o campeão do Veroforte. Ele informa que as cerimônias sagradas serão realizadas em sua própria mansão.  Antes da festa, Suva e Ipa são chamados para uma conversa reservada, num salão privado do camarote de Boquissossi. O lugar é ainda mais luxuoso que os demais. No recinto, o senador apresenta uma oferta a eles: viver uma vida de luxo e luxúria numa das mansões da alameda, de forma vitalícia. A única contrapartida seria ter de viver ali para sempre. Ipa Bier não sabia o que Suva iria decidir, mas se dependesse dele, ali, naquela hora, não tinha qalquer dúvida: ficaria ali pra sempre.

Continua…

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