126. A Consagração do Veroforte

Sala de banho na mansão do senador Boquissosi, em Dankel

Antes: 125. Triste fim de Arley Vanila

O baile cerimonial de consgração do Veroforte aconteceria naquela mesma noite, na mansão do senador Boquissosi, que era a maior da alameda. Suva desceu do pódio com o cinturão e rumou para lá com semblante calmo e o coração quase explodindo, efeito colateral da dose cavalar de poeira cristal que tinha cheirado num mesmo dia. O extrato puro da alga Flor de Noya tinha se combinado ao sangue do negão de uma forma inédita. Suva sabia muito que ia durar pouquinho depois daquele dia. Mas tinha valido a pena, pois a missão de toda uma vida tinha sido cumprida. Haia Kahn ainda lhe ofereceu um pouco da Poção de Virgo que carregava, mas todos sabiam que, àquela altura, a substância milagrosa no máximo lhe daria alguns dias ou semanas a mais de vida. Isso se ele colaborasse no lifestyle, é claro.

Já na festa, Ipa Bier “lamentava” que os senadores o tivessem chamado para conversar, e lhe feito aquela proposta irrecusável de passar o resto da vida naquela regaria absurda. O escudeiro de Suva tinha esquecido completamente do plano com uma das prostitutas do camarote, que quando percebeu isso foi embora com as moedas sem precisar fazer o serviço.  Toda a fauna que estava no salão, com exceção dos escudeiros dos derrotados, estava por ali: a elite da cidadela, os músicos, as putas, servos e guardas. Comida, bebida e orgia liberada. E Suva tinha convidado Xpeditus, Merlin, Haia e Mortagwan para a cerimônia.

– Acho que vou aceitar o convite dos senadores. – Avisa aos demais Ipa.

– Vai é enfiar um sabugo de milho no cu, isso sim. – Revolta-se o Para Hyba: – tu tá sabotando a missão, fela da puta.

– Ele se apaixonou por um tigunar daqui e quer ficar. – Sacaneou Haia: – É Sabugus o nome do negão.

Andleh, outro membro do Senado de Dankel, bem mais jovem, conduz Suva e Ipa a uma sala de banho completamente equipada, um local de perfume inebriante, com as mais lindas mulheres que eles tinham visto naquele dia, sendo que já tinham visto algumas sensacionais no camarote. Antes de entrar no luxuoso recinto, Ipa tripudia dos companheiros:

– Valu, galera! Esperem aí, ok?

Após circular pelo magnífico salão principal da mansão de Boquissosi, Xpeditus se decepcionou porque não havia nenhuma anã entre as prostitutas. Ameaçou ir embora, o que era um grande contrassenso para quem há pouco estava defendendo que a missão fosse priorizada. Haia pediu para que ele ficasse.

– Só vou ficar pra ver como o Ipa vai tirar o Sabugus do olho do cu. – Aceitou o Para Hyba, antes de pegar uma das mulheres pela cintura e começar a gritar, em transe, algo absolutamente fora de contexto:

– Clave! Clave! Clave!

Já Suva, àquela altura, tinha decidido que não ia economizar porra nenhuma. Já que era para morrer viciado, que fosse em grande estilo. Por isso bebia, comia e fodia como se fosse o fim do mundo. E era mesmo, pelo menos o dele. Uma música suave de harpas e violas animava o espaço, florido por dezenas de jovens mulheres espetaculares, muitas provenientes da Jubo Ket, e outras selecionadas ou raptadas de toda Asgaehart.

Enquanto Ipa ainda se aproveitava ao máximo das meninas da sala de banho, Suva passou o rodo em algumas e voltou ao salão para beber.

– Salve, Suva! – Brindou Haia, quando viu o companheiro.

– Xi… Xi… Tá todo mundo comigo! – Gritou o campeão, já embriagado, antes de dar um tapa estalado na cara de um servo que servia as bebidas, só de zoeira. O negão já estava perdendo a linha:

– E você, vem cá, chupa! – Ordenou a uma das prostitutas, dando início a todo tipo de perversão dali em diante.

Xpeditus, que também já tinha consumido uma quantidade vergonhosa de vinho, se animou com a cena e empurrou outro dos serviçais em cima de algusn guardas, que ficaram putos mas se contiveram. Alguns senadores comiam, bebiam e vomitavam, para depois voltar ao salão. Haia também escolhe uma das meninas e a leva para um canto, onde obtém algumas informações sobre sua condição: tinha sido criada na cidadela de Barbeij com o objetivo de ser vendida para um harém de Dankel aos dezesseis, o que efetivamente tinha acontecido.

Sansimila e Boquissossi se retiram do salão, enquanto Numbigus, Andleh e os outros senadores seguem na putaria. Haia leva a jovem para um dos jardins suspensos, mas acaba percebendo a movimentação antes de começar os trabalhos sexuais. Ele não conseguiu ver para onde tinham seguido, no entanto. A mansão era cheia de varandas, escadarias, balcões e terraços. Mas também havia guardas em todo lugar.

No salão principal, o campeão enfim foi ungido com uma coroa de louros feita de ouro e pedras preciosas, levada a ele por uma virgem, e sob a recitação de um fórmula sagrada de Hefestus pelas ninfas sacerdotisas. Suva já estava completamente alcoolizado, e nem conseguia compreender o que estava acontecendo ao redor. Provavelmente morreria intoxicado pelo álcool antes mesmo que o metabolismo da poeira cristal fervesse seu sangue, o que inclusive era acelerado pela bebedeira e já estava para acontecer.

– Tá todo mundo comigo! Xiii! Xiii! – Repetia o campeão, completamente alucinado.

Suva continuou bebendo. Vinho, cerveja, rum, o que viesse. E bebeu. E a música não parava. Bebeu muito, o quanto podia. E largou outro tapa no servo que trazia as bebidas. Só dava o negão ali.

Continua…

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